Folcloreando – Quarteto Coração de Potro


10º Cante Uma Canção Em Vacaria – Vacaria – RS – 2016.
Composição premiada como Tema Mais Campeiro.

FOLCLOREANDO

Letra: Rogério Villagran
Música: Kiko Goulart
Intérprete: Quarteto Coração de Potro

Não venho de muito perto
E pra bem longe é que vou…
Eu chego quando anoitece,
Quando amanhece não estou.

Quem tem lado é boi de canga
E alpargata é quem não tem,
“Às vez” eu tenho de sobra
E volta e meia um ano sem.

Pras manhãs de lida e sol,
Rodeio parado a grito,
E pras tardes de garoa,
Café preto e bolo frito.

Folcoreando, folcloreando…
Sigo assim de um pagou a outro,
Chacarereando “pras moça”
E tirando “cósca” de potro.

Errei um pealo certeiro,
Botei a culpa no laço…
Depois d’uma noite bailando,
Fazendo força no braço.

Eu tenho um poncho de napa
E um par de bota de goma,
Pra “domá” em dia de chuva,
Porque potreiro não doma!

Te trago minha saudade,
Meu “zóinho” de coruja,
E uma mala de garupa
Pesada de roupa suja.

Quando eu morrer, façam fávoa,
Não quero ninguém chorando.
Pra que eu siga, tempo adentro,
Folcloreando, flocloreando…

Cansando o Cavalo – Luiz Marenco e Jari Terres


5ª Estância da Canção Gaúcha – São Gabriel – RS – 1997.

CANSANDO O CAVALO

Letra: Gujo Teixeira
Música: Luiz Marenco
Intérprete: Luiz Marenco e Jari Terres

Por estas voltas de campo
andei cansando o cavalo…
Tocando o gado por diante
mandando a vida pra frente
sabendo que o Sul pra gente
é bem maior do que tantos…
Tamanho os olhos dos outros
querendo o verde dos campos.

Andei rodando esporas
sovando tantas badanas
trazendo junto dos tentos
inha querência em rodilhas.
Olhando a alma dos campos
renascer junto às flechilhas
mesmo que o verde mais lindo
fique pra lá da coxilha.

Por estas léguas…
– Manda cavalo!!
Mas vai tranqueando por diante
que o mango vem de regalo.

Mas ando sempre no tranco
que minha prosa aguenta
pois meu gateado sustenta
as coisas quando ele quer.
Se tem o mundo por conta
coiceia chirca e se some
trocando a lida de ponta
perdendo a doma “dos home”.

Pra quem olhasse depois
duas estampas pacholas
levando o verde nos olhos
e a querência à bate-cola.
Nem se daria por conta
que o sustento vem da gente
e só bebe a melhor água
quem descobrir a vertente.

Só quando a lida me deixa
escubro o mundo que eu vejo
um pouco além da coxilha
“tão” as coisas que eu desejo.
Pra dizer bem a verdade
são bem iguais às daqui
mas sempre canso cavalo
só pra dizer que eu vi.

Para Lembrar do Sul – Natalício Cavalheiro


Ronda Virtual da Canção – 2020.

PARA LEMBRAR DO SUL

Letra: Moisés Silveira de Menezes
Melodia: João Chagas Leite
Intérprete: Natalício Cavalheiro

Um dia o céu vai se vestir de cinza
Virá tarde o sol e partirá mais cedo
Do sul uns olhos de castanho- escuro
Brilhando ariscos por viver inquietos
Vem ver se a vida põe cuidado em ti.

Em noites mornas de parar a mente
Perder o sono pra buscar um sonho
Verás estrelas num bailar sutil
A brisa mansa que virá do sul
Vem embalar o teu sonhar criança

O sul é o caminho, o sul é o lugar
Há um lugar no sul se quiseres ficar
O sul é o caminho, o sul é o lugar
Há um lugar no sul se quiseres voltar.

Em noites mornas de parar a mente
Perder o sono pra buscar um sonho
Verás estrelas num bailar sutil
A brisa mansa que virá do sul
Vem embalar o teu sonhar criança

Se um vento forte de assoviar gelado
Te invadir a casa, batendo de leve
Os teus cabelos de trigais maduros
É o minuano que vem lá do sul
Trazendo um poema pra acordar contigo.

Os Dois Extremos de um Laço – Pedro Guerra Pimentel


Ronda Virtual da Canção – 2020.

OS DOIS EXTREMOS DE UM LAÇO

Letra: Martim César
Melodia: Pedro Guerra Pimentel
Intérprete: Pedro Guerra Pimentel

Um velho e um menino se encontram
Em alguma praça do mundo
Passado frente ao futuro
E um breve e eterno abraço
O tempo detém seu passo
E num instante se resume
Pois vê que neles se unem
Os dois extremos de um laço

Devagar cai uma lágrima
Nas vergas do rosto do velho
E o tempo é um rio de recuerdos
Brotando desde a infância
Como esquecer a distância
Que hoje pesa em seus ombros
Se para tantos escombros
A alma já não lhe alcança?

O menino volta aos brinquedos
Sem entender que esse encontro
Jamais se dará de novo
Pois não há regresso no tempo…
Talvez quando fique velho
Um outro menino o abrace
Como se a vida brincasse
De ver-se inteira no espelho.

O Passado Mostra a Cara – Ricardo Martins


Ronda Virtual da Canção – 2020.

O PASSADO MOSTRA A CARA

Letra: Guilherme Suman e Thiago Suman
Melodia: Ricardo Martins e Matheus Alves
Intérprete: Ricardo Martins

Da ampulheta quebrada do tempo
Descambam as areias da vida,
Pra desbotar o meu sorriso moço
E escorrer do rosto o sal dos tristes ais.

O meu olhar laçou o destino
Que cruzou pela porteira;
– A paysana, flor campeira,
Era um sonho e nada mais

E a face do passado se revela,
Em cada traço, uma razão…
O tempo se mescla à experiência,
É a ciência do meu coração.

Mas quem plantou, viu vingar:
Sonhos, flores e esperanças…
– Somos rastros na estrada do tempo
Forja de vento e distância.

O Passado mostra a cara,
Na lembrança emoldurada;
Hoje o espelho está mudado
E aos poucos somem as pegadas!

E os tantos rumos cruzados,
Se amoldaram em um só caminho,
E minha alma antiga se conforma;
O resumo é ficar sozinho.