De Boas Vindas – Angelo Franco


14º Carijo Da Canção Gaúcha – Palmeira das Missões – RS – 1999.

DE BOAS VINDAS

Letra: Gujo Teixeira
Música: Angelo Franco
Intérprete: Angelo Franco

Estendi de novo o meu olhar de boas vindas
até onde essa solidão dava horizonte
larguei pro campo o meu gateado, lombo suado
ando cismado, de alma distante desde “ontonte”.

A voz do fogo falou de novo no meu galpão
mimando a cambona pra um mate novo recém cevado
recuerdos meus, desses antigos feito tapera
“tavam” na espera cuidando um sonho ensimesmado.

Vai pelo tempo o que a alma sente em dizer nada
onde rumo e estrada nem sempre são o mesmo caminho
tem tanta coisa que além dos olhos nos deixa triste
que o sonho insiste em achar ser rumo mesmo sozinho.

Quem sabe a alma dessa fronteira vá mais além
porteira aberta pra os rumos tantos que a vida mostra.
A vida é assim, nos põe na cruz de uma encruzilhada
pra escolher a estrada e buscar aquilo que mais se gosta.

Um dia a sorte reponta todos os cavalos mansos
e um olhar de campo escolhe um bueno pra se encilhar.
Porque a gente passa a vida inteira por ir embora
depois não vê a hora e o quanto é tarde pra se voltar.

E o mesmo olhar de boas vindas vai cuidar ao longe
nos esperando pra um mate novo, noutra volteada
depois que o sonho achar seu rumo por sua conta
e voltar na ponta, num pingo bueno pra contar a estrada.

Caminito Del Leñero – Leoneol Gomez


25ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2017.

CAMINITO DEL LEÑERO

Letra: Evair Suarez Gomez
Melodia: Leonel Gomez
Intérprete: Leonel Gomez

Caminito Del leñero
Cuantas astillas, o tronco entero
Me hás bolcado…
Cuantas veses me hás parado
Por tu propia desicion.
Pero sigo, hacha y hacha
Que hace falta, leña buena p’al fogón

Llora, llora, ruedita de carretilla
Que el sol que brilla…
Duerme junto a mi sombrero
Caminito Del leñero
Tiene su ciência y sus trampas
Dia de sol, duros torrones
Cuando llueve, tranca y tranca

Caminito Del leñero
Hasta un nidito de tero
Tuviste cerquita un dia…
Y en cada viaje que hacia
Queria ganarme el cuero
Entretenido al pucho negro
Era un fino en cada vuelo
Dando gritos, (Terú-Terú)

Cuantas veses yá pase
Si cuento, me perdere
Ya fueron muchos carreros
Ya lo hice un dia entero
Junto al invierno machazo
Yo era hacha, astilla…astilla
Dele y dele… brazo y brazo

Caminito Del leñero
A pura rueda te hicieron
Desde del monte a la cocina
Rebentaste cuantas tiras
De ordinárias chinelas.
-Y dês de lejos parecias
Un rastrito de culebra-

Batizando “Os Tarro” – Marcelo Donato


17ª Sapecada da Serra Catarinense – Lages – 2017.

BATIZANDO “OS TARRO”

Letra: Gilson Aguiar
Melodia: Marcelo Donato
Intérprete: Marcelo Donato

Bater de cascos, ainda é madrugada
No cantar do galo, lá vem a gateada
Para a obrigação
Gaiota cheia, e o povo esperando
A mesa tá pronta, e o leite chegando
Pro café com pão

Num velho tarro da crioula venda
Vem a encomenda, comércio a granel
É o sustento de guacho e criança
É o leite do tambo,
E dá prá encher a pança até dos coronel

Pobre leiteiro que não faz feriado
Anda ressabiado co´a nação quebrada
Já não consegue dar batom pra ela
Nem mortadela para a gurizada

Pra ter o soldo um pouco reforçado
Se viu obrigado até a engambelar
Com meio litro d´agua do lajeado
Leite batizado, pra poder lucrar!

De vez em quando, um vivente encontrava
Sapito de cola que ainda boiava
Na jarra de alguém
Ou um lambari, que vinha no reforço
Dava bate boca, retoço, alvoroço
E peleia também

Mesmo surrado pela lida bruta
Sem frouxar o garrão, o ofício que quis
Ao lado dela, piazedo na escola
Batizando os tarro,
Sem pedir esmola, vive mui feliz

A Luz Que Verte dos Sonhos – Analise Severo


24ª Coxilha Nativista – Cruz Alta – RS – 2004.
Composição premiada com o Melhor Arranjo e Melhor Intérprete para a Analise Severo.

A LUZ QUE VERTE DOS SONHOS

Letra: Juca Moraes
Música: Diogo Matos
Intérprete: Analise Severo

O som da vida se vestiu de verso
Pra se encontrar com a melodia,
E os dois juntinhos ganharam os ares
Nesses cantares plenos de harmonia.

Quem traz a alma a lançar sementes,
Semeando auroras pra brotar a vida,
Sabe que a luz que verte dos sonhos,
É mais sublime quando dividida.

A mãe que gera uma nova vida,
Sabe de cor o som que ela tem,
E vê no choro da recém-nascida
A esperança a brilhar também.

Com a ternura de um amor profundo,
Renasce o sonho de um viver a dois.
Com a criança que ganhou o mundo
Nasce o futuro que virá depois.

Estradas longas, de chegadas tantas,
Rios e barrancas nesse vai e vem…
E a luz da vida alumbra os corredores
Com os valores que da alma vem.

Veneno – Lisandro Amaral


25ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2017.

VENENO

Letra: Lisandro Amaral
Melodia: Roberto Luzardo
Intérprete: Lisandro Amaral

Eu te levei adormecida junto ao peito,
Banhando as horas do meu mundo tão pequeno…
Cuidei teu sono, quando o sol amanhecia
E a poesia evaporava do sereno…

Eu soube apenas o teu nome e teu sorriso
Não mais preciso conhecer tuas verdades…
Roubei um beijo, ao cuidar teu sono lindo,
E o teu veneno foi maior que a claridade…

Saber do mundo é não temer a madrugada!
Serpente antiga – feiticeira dos caminhos –
Eu te levei adormecida junto ao corpo
Onde teu sono era veneno e não carinho!

Onde andarás? não mais pergunto ao meu silêncio.
Adormeceras noutro corpo envenenado.
Cuidar teu sono é como estar frente a um mistério, madrugada
Te ver sorrindo é como estar aprisionado!

Guarda o teu beijo para alguém que te mereça.
Se é que alguém, merece ter o que ofereces…
Um dia o sol vai me livrar do teu veneno
Igual sereno evaporar quando amanhece.