Ijiquiquá y Jujuy – Leôncio Severo


21ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2013.

IJIQUIQUÁ Y JUJUY

Letra: Rogério Ávila
Música: Rogério Ávila
Intérprete: Leôncio Severo

Lobuno oveiro…Ijiquiquá
Descarnado, lombo curto
E caborteiro de chegar.
Lobuno oveiro…Ijiquiquá
Cada vez que ato a rédea
Da vontade de chorar…

Mesmo assim sigo contente
Tendo a flor moracujá
E dois olhos que me espiam
Quando tardo a chegar…
E o cruzeiro, luz da pampa
Que faz minh’alma voltar
Junto ao sul com meu lobuno
Meu oveiro Ijiquiquá!

Jujuy Mi Pago…Oveiro está!
Num lobuno patas brancas
Matreiro de embuçalar.
Jujuy Mi Pago…Oveiro está!
Quando em vez por quase nada
Já se prende a corcovear!

Mesmo assim sigo contente
Tenho a flor maracujá
E dois olhos que me espiam
Quando tardo a chegar…
E o cruzeiro, luz da pampa
Que faz minh’alma voltar
Junto ao sul com meus lobunos
Jujuy Mi Pago y Ijiquiquá!

Herói de Dois Mundos – Luciano Gonçalves


7º Canto Nativo de Santo Augusto – Santo Augusto – 2014.

HERÓIS DE DOIS MUNDOS

Letra: João Perusatto
Melodia: João Perusatto
Declamações: João Perusatto
Interprete: Luciano Gonçalves

04 de julho de 1807, Itália.
Nascia um guerreiro,
Mas não um guerreiro qualquer.
Um homem que sentia o cheiro da injustiça.
Que como tantos fugiu da policia
E como poucos, foi invejado por ela.
Um homem de muitos amores,
Mas que no fim, foi preso pela guerreira.
Tantas foram as guerras vencidas
É claro, algumas também perdidas.
Era guiado pelas estrelas
E no rio grande veio parar.
Era um deus dentro do mar
E ao lado dos melhores combatentes veio lutar
Para a Republica Rio-Grandense proclamar!

Giuseppe, Giuseppe.

Infância pobre numa Itália destruída.
Desde criança só pensava ir pro mar.
Aos 15 anos aprendeu a navegar,
Seguindo os passos do seu pai, de seu avô.

Tava no sangue o instinto visionário
Liberdade e igualdade, sim senhor!
O patriotismo um exílio lhe rendeu
No Brasil o seu barco apareceu.

Ouviu rumores de uma tal revolução
De um chão sulino cansado de se aquietar.
Pelos seus homens, chamado de Capitão.
E entre todos, conhecido Rei do Mar.

Giuseppe, Giuseppe

Numa tarde conheceu a jovem Anita
Moça bonita, muy valente, uma guerreira.
Um encontro que o destino programou
Uma paixão que a história eternizou.

Foram tantas guerras que da morte escapou.
Conquistou Laguna ao lado do seu amor.
E com Canabarro, Juliana proclamou.
Herói de dois mundos, Garibaldi se tornou.

Ouviu rumores de uma tal revolução
De um chão sulino cansado de se aquietar.
Pelos seus homens, chamado de Capitão.
E entre todos, conhecido Rei do Mar.

A sorte que nos traiu hoje, sorrirá para nós amanhã.
Os que amam esse chão com o seu coração
E não com os seus lábios, sigam-me!
Viva a Republica Rio-Grandense!
Viva a Itália!
Viva Giuseppe Garibaldi!

Ouviu rumores de uma tal revolução
De um chão sulino cansado de se aquietar.
Pelos seus homens, chamado de Capitão.
E entre todos, conhecido Rei do Mar.

Giuseppe, Giuseppe

Gaita Só – Adilson Moura, Fio Rossato e Larri Charão


8ª Tertúlia Musical Nativista – Santa Maria – RS – 1987.
Composição que consagrou o músico Luiz Carlos Borges como o Melhor Intrumentista do festival

GAITA SÓ

Letra: Adilson Moura
Música: Adilson Moura
Intérpretes: Adilson Moura, Fio Rossato e Larri Charão

Gaita só,
sem violão
só um coração
a bater
na canção
sola solita
a solidão
de quem
lhe empresta
as mãos.

Gaita só,
na confissão
de algum gaiteiro
sem par,
que sem querer
desvenda ao mundo
seu dom,
contando a vida
ao tocar.

Gaita, tantos segredos
fluem dos dedos,
luzindo notas
pro teu altar,
campeando acordes
na ilusão,
que o sol do som
possa brilhar.

Gaita, todos os dias
sem parceria,
na melodia
vaga no ar,
querendo alguém
que possa ouvir,
crer e sentir
prá harmonizar

Fandanguinho Não, Fandangaço – David Menezes Júnior


6ª Coxilha Nativista – Cruz Alta – RS – 1986.
Composição premiada como Música Mais Popular.

FANDANGUINHO NÃO, FANDANGAÇO

Letra: Nilo B. de Brum
Música: Luiz Bastos e Maria Luiza Benitez
Intérprete: David Menezes Jr.

Tava quase todo mundo
neste fandango de lei,
entre prendas e gaudérios
a proporção eu não sei,
mas até gaúcho gay
desfilou pelo salão,
de bombacha cor-de-rosa
e tirador de fustão.

Sobrava gaita e gaiteiro
no baile da gauchada,
o Antão e o Porca Véia
bulinando a pianada,
às vezes, pediam cancha
pro Orides e o Borghetti,
que provocavam desmaios
entre prendas e tietes.

Oitavados no baldão,
tocando trago de canha,
tava o João de Almeida Neto,
mais o Jayme e o Saldanha,
entrou o Nico Fagundes,
já veio de cara cheia,
gritando pro macheriu:
baile que é bom, tem peleia!

Num concurso de bigode
entre o Bagre e o Paixão,
que foi dado por empate,
começou a confusão:
os Fagundes protestaram
contra o voto dos jurados,
alegando que o bigode
do Paixão tava dopado.

A Marilene Xirua,
aproveitando o ilheio,
“passou” no David Menezes
uma sumanta de “reio”,
o Thomaz que é um índio gorsso,
mas não gosta de querela,
tentando fugir do talo,
se entalou numa janela.

Todo de branco, o Deniz
pedia orem na sala,
reclamando que a Malu
tava em pêlo, só de pala,
o Zé Cláudio é um índio maula,
se atracou no Dorotéo,
que dançava com a Marlene,
de espora, mango e chapéu

É Bem Assim…! – Joca Martins e Rogério Melo


15ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2004.
Composição vencedora do Festival.

É BEM ASSIM…!

Letra: Anomar Danúbio Vieira
Música: Marcello Caminha
Intérpretes: Joca Martins e Rogério Melo

É bem assim…
Cá no Rio Grande, no garrão deste país
Habita um povo de coragem e que é feliz
Por ter no sangue a descendência farroupilha.


É bem assim…
O que se fala se garante a todo custo
A lida é o lema de quem não nasceu de susto
Pois esta gente faz histórias nas coxilhas.

É bem assim…
Quando um “veiaco” mal costeado esconde a cara
De pronto acha um braço forte que lhe para
E um par de esporas cortadeiras num garrão.


É bem assim…
Quando troveja pra os lados do chovedor
E o tempo baba, encharcando o corredor
Chapéu e poncho fazem às vezes de galpão.

É bem assim…
Nesta querência de rebanhos e manadas
Onde a peonada das estâncias, bem montada
São os esteios que sustentam o pago, enfim…
E as tropas gordas que povoam invernadas
São o produto do trabalho desta indiada
Mostrando ao mundo que pecuária é bem assim…!

É bem assim…
Quando florescem as manhãs na primavera
Brotam os campos, suplantando toda a espera
De um novo entore que encaminha a produção


É bem assim…
“Se puxam” potros, vão se aprontando novilhas;
“Se ajeita” lindo a caponada pras esquilas
Comparsa antiga, “hace tiempos” no rincão.

É bem assim…
Rodeio grande, terneirada bem cruzada;
Um doze braças corta o vento numa armada
E a vida segue o seu caminho, “flor e flor”


É bem assim…
Mate cevado, prosa buena, um fim de tarde
Aqui se faz o que se deve sem alarde
Por que esta terra é de respeito, sim senhor!

Da Canhada ao Porteirão – Adams Cézar


2ª Colina da Música Gaúcha – São João da Urtiga – RS – 2013.

DA CANHADA AO PORTEIRÃO

Letra: Severino Moreira e Diego Müller
Música: Marcelinho Carvalho
Intérprete: Adams César

Da a estância até a venda
Légua e pico de estrada…
Distâncias se desenhando
Pra uma linda carreirada…
Fazer mandados do pai,
Erva, fumo e goiabada…
– Um frasco de canha buena
Pra esquentar madrugada!

No peticito baio ruano
Doma de minha “mão”…
O mano num pingo bueno,
De varrer poeira do chão…
Me “atentava” a linha reta,
Aprisionada pela visão,
Para um tronar de patas,
Da canhada ao porteirão…

Entre tacurus e cardos,
– Espora, mango e paleta –
Numa carreira de mano
Dois gurizinhos sotretas…
Patas surrando o chão,
Compasso de “leguero”…
O vento benzia a cara,
Nesse batismo campeiro!!!

Era um retrato de campo…
O corredor por moldura…
Na escola dos arreios…
A mais xucra das culturas…
Embrulhos despedaçados
Do sortido uma mistura…
– E o premio o resumo…
No atado de rapadura

Ao adentrar na porteira
E desencilhar no galpão…
O pelo suado dos pingos…
Silenciosa informação…
… Pro ar sisudo do pai:
Com o rebenque na mão!!!
Mas só doía de fato…
Se perdia pro irmão.

Cacimba e Vertente – Angelo Franco


16ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2008.

CACIMBA E VERTENTE

Letra: Martim César e Fabrício Marques
Música: João Bosco Ayala e Éverson Maré
Intérpretes: Angelo Franco

A cacimba e a vertente
Muito embora parecidas
Na sede que todos sentem
Na água, em goles bebida
Podem ser tão diferentes
Como o remanso e a corrente
Bem como a morte e a vida!

Há homens que sao cacimbas
Não mais que almas cansadas
Aheias visões refletidas
Em suas águas paradas
Em cima passando a vida
Em baixo rota contida
Silêncio, sombra e mais nada!

No entanto, nada encerra
O que nasceu pra vertente
Tal se a seiva da terra
Voltasse sangue na gente…
Quem é terrunho em sumo
Jamais desvia seu rumo
Por ver atalhos à frente!

Compondo seu pergaminho
Pela andarilha vivência,
Segue cruzando sozinho
Reafirmando a existênia…
Um manancial no caminho
Daqueles que aos pouquinhos
Sorvem pureza e essência!

… Há tanto sonho guardado
Rio convertido em fosso
Homens de olhos calados
embora ainda tão moços
Caudais, em vão, repressados…
Que sem um rumo traçado
Trazem silêncio de poço

Bagual – Dorval Dias


5ª Reculuta da Canção Crioula – Guaíba – RS – 1988.
Composição premiada com o Segundo Lugar.

Letra: Dorval D. Dias
Música: Dorval D. Dias
Intérprete: Dorval D. Dias

No potreiro de minhas fantasias
Há um bagual galopando contra o vento;
Também fui moço e atirei o freio,
Retoçei na vida e me perdi no tempo.

Desde potrilho eu abri caminhos,
Fui amansado com um cabresto novo;
O brete é estreito para quem começa
E até a marca quem te bota é o povo!

Fui aporreado, me domei aos poucos,
Aprendi dos velhos o ensinamento…
Buscando horizontes, engoli distâncias,
Rédeas no chão, mas de olhar atento.

E, relinchando, pelo campo afora,
Perdi as baldas de meu duro lombo;
Corcovear com a vida não adianta nada
E só o ginete é quem conhece o tombo!

E, hoje, colhudo de meus próprios sonhos,
Tenho, por herança, minha potrilhada
Que me acompanha, de bocal nos queixos,
Procurando um rumo neste fim de estrada.

A Campo Fora – Jean Pablo Machado


18ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2007.

A CAMPO FORA

Letra: André Teixeira
Música: Jean Pablo Machado
Intérprete: Jean Pablo Machado

Um brazino meio sangue
“Apurado” pra poleango
– Refugador de porteira,
Por excelência, matreiro;
De certo não se “olvidava”
Que nunca andei em “sabugo”
E jamais deixei refugo
Quando vou parar rodeio.

Meu pingo já pressentia,
Mascando o aço do freio.

A cachorrada da estância
Carregou adentro do mato,
Batendo atrás do aragano,
Que saltou de cola erguida!
Sem rumo nem direção,
Cortando o campo no meio
Até pechar num costeio
Que ensina as voltas da lida.

Então gritou um “paysano”
Que o touro “ganhou” a várzea!…

Atropelei meu tordilho,
Encostando no “alçado”;
D’outro lado outro centauro
Escorava o atropelo…
Eram três numa carreira
Formando uma só silhueta,
Paleta contra paleta,
Roçando pêlo com pêlo.

Só não sabia o brazino
Que o sangue dos “centauros”,
Também fervilha na artéria…

Talvez o touro maleva
Se alçasse pelo instinto,
Taurenado a força da vida…
… Que brota na primavera.
Quando o setembro fervilha,
Corcoveando pelas veias,
E o rodeio matreireia…
Berrando e cheirando a terra.

Troveja o chão da estância
Num pataleio crioulo!

Só não sabia o brazino
Que o sangue dos “centauros”,
Também fervilha na artéria…
Saudando a pampa em floreio.
Risquei-lhe o lombo com a espora
Para mostrar ao matreiro
Que a paleteada é um sinuelo
De quem refuga o rodeio.