Peço Silêncio – Adair de Freitas


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.
Composição premiada com o Segundo Lugar e Melhor Intérprete (Adair de Freitas).

PEÇO SILÊNCIO

Letra: Marco Antônio Soares
Melodia: Nirion Machado
Intérprete: Adair de Freitas

Peço silêncio porque vou cantar
Este momento é que me faz feliz
Se canto baixo e desse jeito calmo
Desde o princípio, foi assim que fiz

A minha voz, é um instrumento suave
Leva a quem ouve um pouco de emoção
Cada palavra é uma poesia
Cada poesia é pura inspiração

Quem faz silêncio pra ouvir meu canto
Viaja comigo pra aonde eu levar
Percorro o mundo em meus devaneios
Este é o encanto de poder cantar

Peço silêncio porque vou cantar
Este é um momento de reflexão
Cantar é ato que transcende o corpo
Sonoridade da alma e do coração

Se no meu canto eu retrato o campo
É porque entendo da campeira lida
Também canto tudo o que mais prezo
A família, os amigos, o amor e a vida

Quem faz silêncio pra ouvir meu canto
Viaja comigo pra aonde eu levar
Percorro o mundo em meus devaneios
Este é o encanto de poder cantar

Quando Crescer – Jean Kirchoff e Lara Labarte


8º Canto de Luz – Ijuí – RS – 2019.
Composição premiada com o Primeiro Lugar, Melhor Letra, Melhor Melodia e Melhor Arranjo Instrumental.

QUANDO EU CRESCER

Letra: Túlio Souza
Melodia: Emerson Martins
Intérpretes: Jean Kirchoff e Lara Labarte

Quando crescer terá vivido
para entender meus tantos “nãos”.
Eu sou seu pai e seu amigo,
vou proteger seu coração.

Quando a gente é criança
não entende porque:
“- Se a gente quer saber
ninguém sabe explicar.
– Se a gente quer dizer
ninguém sabe escutar…”
(o tempo tem paciência,
demora a ensinar…)

Eu também tive que esperar
para entender alguns porquês.
Eu também achava que
sabia tudo e um pouco mais.
Não tenha pressa de crescer,
a vida vai te carregar.
Filho só se aprende a ser
quando a gente vira pai!

Quando crescer fará sentido,
tudo que hoje ainda não faz.
Desculpa se este teu amigo,
está aprendendo a ser pai!

Bailinho de Corredor – Itacir Vieira da Silva


19ª Sapecada da Serra Catarinense – Lages – SC – 2019.
Composição premiada como Melhor Tema Campeiro.

BAILINHO DE CORREDOR

Letra: Sandoval Oberti Machado
Melodia: Sandoval Oberti Machado
Intérprete: Itacir Vieira da Silva

Eu vinha de muito longe
Tropiando mulada feia
Com as bruacas bem cheia
De paçoca bem socada

Engolindo pó de estrada
Mais afogado que um gato
Ja avistei um bate taco
Na volta de um corredor

Fiz um rodeio do laço
Deixei a mulada presa
E já cheguei na certeza
Ao som de gaita e cantor

Entrei com sede e calor
De feder pelo queimado
Bolicheiro baixa um trago
Pra esse tropeiro aragano

Que eu venho cortando os campo
Tapado de quero-quero
E agora o que mais quero
É dançar um baile serrano

E o bugre véio gaiteiro
Tocava uma botoneira
E eu já de pala atirado
Me grudava na morena
As vezes ia pra fora
Da uma bombiada nas mula
E já de barraca armada
Voltava pra tomar uma

Pra quem chega de carancho
Num baile de corredor
Gaita, violão e pandeiro
E a goela dum cantador

Um lampião quase apagando
Corri o zoio num vistaço
Já se imagina os mangaço
No meio da polvadera

Na copa vendia vinho
Sardinha e rapadura
Bolacha la da frontera
E a canha pra benzedura

Poeta – Rafael Puerta


19ª Sapecada da Serra Catarinense – Lages – SC – 2019.
Prêmio de Melhor Intérprete para Rafael Puerta.

POETA

Letra: Rafael Puerta
Melodia: Rafael Puerta
Intérprete: Rafael Puerta

Estou aqui de passagem
Fiz do poema a viagem
Onde fui rosa e fui cravo
Fui profeta e escravo
Homem, mulher…
Sou quem eu quiser
Quisera eu ser quem não fui.

Me entreguei ao amor
Por ser um louco sonhador
Muito perdi, tanto ganhei
Que muito caí, levantei
Tanto cresci, quanto mudei.

Já vivi tanto, tantos sonhos
Que sonhei viver de novo
Cantei minha aldeia, meu povo
Virei minha alma do avesso
Fiz do meu fim o começo
Do começo até o fim
Tenho saudades de mim
E do meu novo endereço -.

Já fui a noite e o dia
Já fui sol e fui lua
Fui serenatas nas ruas
Cruzei teu caminho.
Fui aquele menino
Que não conseguia ninar
Mas que aprendeu a sonhar
Quando estava no escuro
E o coração puro
Que em meu peito – inocência –
Aprendeu que tua ausência
Me tornou mais maduro.

Aprendi que a poesia
Não precisa de métrica,
Que quem vive de regras
Não sabe o que é diversão.
Fui criado de pé no chão
Sentindo a vida no vão dos dedos
E escondi meus segredos
Em cada calo das mãos.

Sou aquele
que chorou e que sorriu
Fui água parada,
sou correnteza de rio
Nasci pra ter flores,
viver de amores
E não ser só mais um
vaso vazio.

Trigueira – Daniel Silva e Ricardo Oliveira


19ª Sapecada da Serra Catarinense – Lages – SC – 2019.
Composição premiada com o Terceiro Lugar e Melhor Melodia.

TRIGUEIRA

Letra: Daniel Silva
Melodia: Gabriel Maculan, Ricardo Olivera e Daniel Silva
Intérpretes: Daniel Silva e RIcardo Oliveira

Me vejo em ti companheira
Vertente dos anseios
A qual em ti cabresteio
Lhe apertando junto ao peito

Tu vem juntito as manhãs
Saciando a sede da alma
Tu que me traz mansa calma
No toque suave dos dedos

Leva embora o meu sono
Me tomas a noite inteira
Te despir linda trigueira
Contempla desejos molhos
Ao verter o sal dos olhos
Te vejo imensidão
Faz compasso ao coração
Ao cantar quem tanto adoro

“Traz o minuano no fole
Soprando a essência da alma
Pro cantador que sente as mágoas
Dos choramingos trigueira”

Por ti que repenso a vida
Traz seiva ao meu penar
Me basta apenas te olhar
Que já a paz me consome

Te levo junto a mim
Dourando a cor de madeira
Pois é tu linda trigueira
Que conduz o meu caminho

Rancho – Quarteto Coração de Potro


19ª Sapecada da Serra Catarinense – Lages – SC – 2019.
Composição premiada com o Segundo Lugar e Melhor Conjunto Vocal.

RANCHO

Letra: Kiko Goulart
Melodia: Vitor Amorim
Intérpretes: Quarteto Coração de Potro

Vida de carancho
Campo pobre, pobre rancho
Fogão triste fumaceia
Deixando um rasto chaminé
E a chuva forte em santa fé
É certo que gotereia

O turco morde a cola
Feito um laço que se enrola
Encolhido na tristeza
No chão duro e poeirento
Meu amigo, algum alento
Pra solidão sentada a mesa

Que destino haragano!
Bombacha velha, pobre pano
Meu rancho é igual a mim
Preso em rugas, corpo gasto
Liberto em sonhos, campo vasto
Esperando chegar no fim…

Cinchando um matito quieto,
Inquieto o pensamento, aperto
a erva verde tão nobre,
Para quem tem pouco luxo
E que vive por ser gaúcho
E sobrevive por ser tão pobre

As vezes esse meu rancho
Sombrio como mato grande
Que a noite acampa primeiro
Fantasmas da sala inteira
Bailam com o vento na corticeira
Pelas sombras do candeeiro

O Poder do Verso – Marcelo Donato


19ª Sapecada da Serra Catarinense – Lages – SC – 2019.
Composição premiada com o Primeiro Lugar e Melhor Arranjo.

O PODER DO VERSO

Letra: Gilson Aguiar
Melodia: Marcelo Donato
Intérprete: Marcelo Donato

O sol se debruça na tarde comprida
e um bando de garças se estampa no ar!
O vento suleiro com seus chamamentos
traz coplas e motivos pro campo cantar!

Tem vezes que a tarde se achega em garoa
e o griz nos encanta com sua magia!
Por isso, o verso nos mostra tão bem
que o orvalho na folha é mais que poesia!

Meu verso é o semblante que me identifica,
é causa e sustento do lugar que vem!
Meu verso, universo, e até controverso,
mas tão evidente na força que tem!

O riso e sorriso são tão parecidos!
Um deles, chegada, E o outro, partida!
O verso alega, imortalizando:
Que o sorrir é o riso de forma contida!

Silêncio, saudade, partir e voltar!
As indecisões, saber do que posso!
O poder do verso, mesmo sem beleza
nos dá a certeza de não ser mais nosso!

Caboclo de Fato – Adair João Palombo e Francisco Fernandes dos Santos


27ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2019.

CABOCLO DE FATO

Letra: Adair João Palombo
Melodia: Francisco Fernandes dos Santos
Intérpretes: Adair João Palombo e Francisco Fernandes dos Santos

Sou caipira e com muito orgulho eu falo das coisas lá do meu sertão
Sou matuto caboclo de fato nasci lá no mato sou de tradição
Meu sotaque meu palavreado não foi estudado na língua estrangeira
Mas eu tenho a minha cultura que vem das raízes da essência pura
Do meu chão sagrado terra brasileira

Com meu aprendi bem cedinho enfrentar os espinhos de uma vida dura
Fui roceiro plantando café sem perde a fé na agricultura
Pra um caboclo ter felicidade não é a vaidade que ele anseia
É o bastante que Deus lhe ajude que tenha na vida uma boa saúde
A mesa bem farta e a barriga cheia

Com saudade hoje me recordo da vida gostosa que eu lá vivi
O riacho onde eu me banhava e a tarde eu ia pescar lambari
A porteira e o velho mourão ficaram no chão da minha saudade
A boiada e o carro de boi pra mim representa um bom tempo que foi
Onde eu passei a feliz mocidade

Hoje vivo aqui na cidade, mas sinto saudade a todo o momento
Meu passado está dentro de mim um filme gravado no meu pensamento
Vez em quando eu pego a viola ela me consola alivia meu peito
Um caboclo longe do sertão não tem alegria no seu coração
Só vive magoado e insatisfeito

Se eu pudesse voltar ao passado e ter ao meu lado meus queridos pais
Nosso sitio e a velha casinha na lembrança minha a saudade é demais
Vou levando a vida desse jeito lembrando de tudo meu peito suspira
Pra acalmar meu coração magoado espanto a tristeza ouvindo o ponteado
Do som sertanejo da viola caipira

Lá Vem Vindo o Zé das Lavras – Nilton Ferreira


27ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2019.

LÁ VEM O ZÉ DAS LAVRAS

Letra: Rogério Villagran
Melodia: Cristian Camargo
Intérprete: Nilton Ferreira

Lá vem vindo o Zé das Lavras,
Embalando um baio ruano,
Que troteia despachado,
Mascando um bocal de pano.

Na cola um nó de tesoura,
No toso um fleco que abana,
E um resto de pátria pampa,
Nos bordados da badana.

Lá vem vindo o Zé das Lavras,
Chapéu tombado na nuca,
E nos pés um par de esporas,
Qual fossem duas mutucas.

Traz pendurado no pulso,
Na velha moda campeira,
Um mango soiteira chata,
Com o cabo de pitangueira.

Lá vem vindo o Zé das Lavras,
Palmeando a rédea ponteada,
Que pelos calos das mãos,
E por tirões foi sovada.

Balanceia o pingo ruano,
Ajeita o corpo nas garras,
Quando assopra o baio avança,
Quando “asujeita” ele esbarra.

Lá vem vindo o Zé das Lavras,
Ruflando um lenço de seda,
Que o vento sacode as pontas,
Qual dança de labareda.

Florescem pelas janelas,
Sorrisos encabulados,
Quando o redomão passeia,
Pelas “calles” do povoado.

Lá vem vindo o Zé das Lavras,
Afirmação deste assunto,
Que a doma valora o potro
E o homem se amansa junto.

Primeiro a força e a coragem,
Depois a experiência, o jeito,
Cada um com os seus caprichos,
E os dois com o mesmo respeito.

Lá vem vindo o Zé das Lavras,
Do fundo de algum rincão,
E o bagual que troca orelha,
Quase nem pisa no chão.

Luzem as cordas de doma,
Buçal, maneia de trava,
Sobram pilchas de domingo,
Lá se vai o Zé das Lavras.

Noite Escura – Leonel Gomez


27ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2019.

NOITE ESCURA

Letra: Rogério Ávila
Melodia: Leonel Gomez
Intérprete: Leonel Gomez

Noite escura… Noite escura!
Ando torto e sem lampejo
O teu rumo meu desejo
Os teus olhos, meu amor
Sigo guapo e rastreador
De caminho descarnado
Mas vou posar no teu lado
Noite escura…. Linda flor!

E quando um raio de luz
Se aninhar em teu cabelo
Será assim o sinuelo
Que busquei rondando estrelas
No cruzeiro pude vê-las
Formando a cruz que apontava
O sul que já campereava
Quatro luzitas sinuelas!

DESENCILHO E SOLTO O CAVALO
E AMANSO A ALMA DE ANDEJO
BEBO O DOCE DO TEU BEIJO
INDIO XUCRO E POTREADOR
ME ENREDEI NO MANEADOR
DOS TEUS CARINHOS MENINA
E HOJE É TU QUE ME ENSINA
NOITE ESCURA… LINDA FLOR!