Lua Chirua – Leonardo Paim


14ª Estância da Canção Gaúcha – São Gabriel – RS – 2006.
Composição premiada com o Primeiro Lugar, Melhor Poesia (Edilberto Teixeira) e Melhor Intérprete (Leonardo Paim)

LUA CHIRUA

Letra: Edilberto Teixeira
Melodia: Ênio Medeiros
Intérprete: Leonardo Paim

A lua é uma gata angorá
Que pisa manso o telhado,
É a geada no descampado
Que ainda não levantou,
É um velo de lã merina,
É um seio branco de china
Que nem o sol não tocou;
 
A lua é prenda que foge
Do rancho do firmamento
E, engarupada no vento,
Vai alumiar a querência
Nos olhos negros da prenda
A lua cheia é uma oferenda
De paz, amor e de ausência
 
Esta lua é uma chirua
Que maltrata o meu sossego
Quando abre a pampa nua
Vem dormir nos meus pelegos.

A lua guia o gaudério
Como um celeste candeeiro
Qundo ele vai, de escoteiro,
Abrindo atalho e caminho.
E atravessando o perau,
Meia noite, ouve o urutau
Chamando a fêmea pra o ninho.

E a lua cá do potrero,
Quando linda vai passando,
Faz minh’alma ir-se cantando
Na amplidão do seu luar
E este azul se azul não fosse,
Seria rima água-doce
De uma canção de ninar. 

Esta lua é uma chirua
Que maltrata o meu sossego
Quando abre a pampa nua
Vem dormir nos meus pelegos.

Guri de Campo – Vinícius Brum


4º Canto dos Cardeais – Canguçu – 1999.
Composição premiada com o Primeiro Lugar.

GURI DE CAMPO

Letra: Juarez Machado de Farias
Música: Diego Espíndola
Intérprete: Vinícius Brum

Aprimorei o faro nas esquinas,
Andei nas dissonâncias dos mendigos.
Na praça, conversei com muitos velhos
E andei nos seus caminhos percorridos.

Eu fui guri do campo na cidade
Com a mesma liberdade das distâncias.
Apenas o meu versos demudou:
De doce se amargou. Chorou infâncias.

No mais, eu não mudei – ainda canto
Milongas num violão que é mais um vício
E busco na janela a inspiração,
Falando de um galpão neste edifício.

Eu quero manter vivo o que eu sorri
No tempo em que eu nem vinha na cidade.
E agora – que ironia! – eu sou saudade
Querendo achar o tempo que perdi.

Folcloreando – Quarteto Coração de Potro


10º Cante Uma Canção Em Vacaria – Vacaria – RS – 2016.
Composição premiada como Tema Mais Campeiro.

FOLCLOREANDO

Letra: Rogério Villagran
Música: Kiko Goulart
Intérprete: Quarteto Coração de Potro

Não venho de muito perto
E pra bem longe é que vou…
Eu chego quando anoitece,
Quando amanhece não estou.

Quem tem lado é boi de canga
E alpargata é quem não tem,
“Às vez” eu tenho de sobra
E volta e meia um ano sem.

Pras manhãs de lida e sol,
Rodeio parado a grito,
E pras tardes de garoa,
Café preto e bolo frito.

Folcoreando, folcloreando…
Sigo assim de um pagou a outro,
Chacarereando “pras moça”
E tirando “cósca” de potro.

Errei um pealo certeiro,
Botei a culpa no laço…
Depois d’uma noite bailando,
Fazendo força no braço.

Eu tenho um poncho de napa
E um par de bota de goma,
Pra “domá” em dia de chuva,
Porque potreiro não doma!

Te trago minha saudade,
Meu “zóinho” de coruja,
E uma mala de garupa
Pesada de roupa suja.

Quando eu morrer, façam fávoa,
Não quero ninguém chorando.
Pra que eu siga, tempo adentro,
Folcloreando, flocloreando…

Cansando o Cavalo – Luiz Marenco e Jari Terres


5ª Estância da Canção Gaúcha – São Gabriel – RS – 1997.

CANSANDO O CAVALO

Letra: Gujo Teixeira
Música: Luiz Marenco
Intérprete: Luiz Marenco e Jari Terres

Por estas voltas de campo
andei cansando o cavalo…
Tocando o gado por diante
mandando a vida pra frente
sabendo que o Sul pra gente
é bem maior do que tantos…
Tamanho os olhos dos outros
querendo o verde dos campos.

Andei rodando esporas
sovando tantas badanas
trazendo junto dos tentos
inha querência em rodilhas.
Olhando a alma dos campos
renascer junto às flechilhas
mesmo que o verde mais lindo
fique pra lá da coxilha.

Por estas léguas…
– Manda cavalo!!
Mas vai tranqueando por diante
que o mango vem de regalo.

Mas ando sempre no tranco
que minha prosa aguenta
pois meu gateado sustenta
as coisas quando ele quer.
Se tem o mundo por conta
coiceia chirca e se some
trocando a lida de ponta
perdendo a doma “dos home”.

Pra quem olhasse depois
duas estampas pacholas
levando o verde nos olhos
e a querência à bate-cola.
Nem se daria por conta
que o sustento vem da gente
e só bebe a melhor água
quem descobrir a vertente.

Só quando a lida me deixa
escubro o mundo que eu vejo
um pouco além da coxilha
“tão” as coisas que eu desejo.
Pra dizer bem a verdade
são bem iguais às daqui
mas sempre canso cavalo
só pra dizer que eu vi.

Para Lembrar do Sul – Natalício Cavalheiro


Ronda Virtual da Canção – 2020.

PARA LEMBRAR DO SUL

Letra: Moisés Silveira de Menezes
Melodia: João Chagas Leite
Intérprete: Natalício Cavalheiro

Um dia o céu vai se vestir de cinza
Virá tarde o sol e partirá mais cedo
Do sul uns olhos de castanho- escuro
Brilhando ariscos por viver inquietos
Vem ver se a vida põe cuidado em ti.

Em noites mornas de parar a mente
Perder o sono pra buscar um sonho
Verás estrelas num bailar sutil
A brisa mansa que virá do sul
Vem embalar o teu sonhar criança

O sul é o caminho, o sul é o lugar
Há um lugar no sul se quiseres ficar
O sul é o caminho, o sul é o lugar
Há um lugar no sul se quiseres voltar.

Em noites mornas de parar a mente
Perder o sono pra buscar um sonho
Verás estrelas num bailar sutil
A brisa mansa que virá do sul
Vem embalar o teu sonhar criança

Se um vento forte de assoviar gelado
Te invadir a casa, batendo de leve
Os teus cabelos de trigais maduros
É o minuano que vem lá do sul
Trazendo um poema pra acordar contigo.