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Foi Bem Depois do Pealo – Roberto Luzardo


17ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2009.

FOI BEM DEPOIS DO PEALO

Letra: Adriano Alves e Otávio Severo
Música: Cristian Camargo
Intérprete: Roberto Luzardo

Foi bem depois do pealo
Num tiro de toda trança
Onde se prende “as confiança”
Na força dos quatro tentos

E compreender um intento
E os mandos da mão campeira
De ser armada certeira
Sobre o olhar do campo vasto
Pra o pampa beijar o pasto
Ao destampar na porteira

Foi bem depois do pealo
Voltano a paz do rodeio
Que o pampa soube a que veio
Ganhar bem mais do que o tombo

Encontro de terra e lombo
Mesclada ao rubro do couro
Sentindo mais que um estouro
Quando viu simbrar o laço
Pra faca em ganas no aço
Roubar-lhe as razões de touro

Foi bem depois do pealo
Que estendeu patas ao léu
Um touro que olhou pra o céu
Confirma um rumo traçado

O homem traz seu mandado
Frente ao destino que for
E campo conhece a dor
E sabe “das precisão”
De um touro rezar no chão
No altar de algum pealador

“Foi bem depois do pealo
Quando a argola silenciou
E as mãos do pampa juntou
Na trilgia firmada
De terra, golpe e armada
Num verso de redondilha
É tombo sobre a flexilha
É ilhapa, força no braço
Depois do tiro de laço
Vir repousar em rodilha!”

Foi bem depois do pealo
Que o braço volta sem laço
Que a armada desfaz o abraço
E a terra esquece do tombo

A poeira desce do lombo
E aos olhos do pealador
Que viu o sangue da cor
O aço batiza o couro
E o campo renasce em couro
Nas marcas de um tirador.

Entre as Pedras do Meu Canto – Gustavo Teixeira


25ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2017.

ENTRE AS PEDRAS DO MEU CANTO

Letra: Mateus Neves da Fontoura
Melodia: Vitor Amorim
Intérprete: Gustavo Teixeira

Entre as pedras do meu canto… hei de encontrar serenada
Vestida de madrugada, tenho certeza que inteira,
Uma florzita trigueira, retovada de quebranto,
Toda enredada de encanto e perfume de laranjeira

Entre as pedras do meu canto… canto bruto, sim senhor,
Tenho o espaço acolhedor pra eternizar primaveras.
Ergui no Passo das Eras o rancho mais protegido
Em cada verso, um abrigo, pra flor mais pura da terra!

E nem o vento insistente que já tocou o infinito
Há de alcançar, acredito, o teu pendão delicado
Pois bem sei que em teu costado haverá guarida e tanto
Entre as pedras do meu canto, flor do amor, é que eu te guardo.

Embora as pilchas surradas pela vivência campeira
Bem sabe a lua viajeira dos meus segredos dormidos,
Do que carrego comigo e não entrego a ninguém
Senão àquela que vem pra repartir meus sentidos…

Se trago a estampa fechada, embrutecida de campo…
Arquitetei o meu canto, pedra por pedra, um fortim
Esperançando que ao fim germines junto às guitarras
Se me faltarem palavras…. que os versos falem por mim!

De Caetano e Aparício – Cristiano Quevedo


17ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2006.

DE CAETANO E APARÍCIO

Letra: Gujo Teixeira
Música: Érlon Péricles
Intérprete: Cristiano Quevedo

Quem conhece uma milonga
Que fale muitas verdades
E traga em si a ansiedade
De contar coisas ao mundo;
Por certo, é claro e fecundo
Naquilo que diz e pensa
E nunca foge a sua crença
De cantador por ofício,
Pois aprendeu fazer versos
Cruzando pelo universo
De Caetano e Aparício.

Quem aprende nunca esquece;
Quem esquece, não entende
Que não se compra nem vende
As verdades de um povo;
Que nem tudo o que é novo
É melhor do que o de antes,
Apenas traz os instantes
Que a vida tem desde o início.
Por estes caminhos gastos,
Por certo, já haviam rastros
De Caetano e Aparício.

A vida ensina os caminhos
E eu resolvi ter o meu!
E o coração entendeu
Que o destino não nos trai;
Pois quem sabe aonde vai,
Não cansa o cavalo à toa
E sempre bebe água boa
Quem tem um rumo e munício;
Ao trote, segue sozinho
Só pra aprender o caminho
De Caetano e Aparício.

Talvez o tempo nos mostre
A vida num verso triste,
Quem sabe a vida desiste
De ser apenas destino
E siga um verso teatino
Para entender o sentido
Que nunca foi entendido
Da palavra em sacrifício,
Pois quem tem luz e razão
Tem na alma a inspiração
De Caetano e Aparício.

Candidato Mal de Vida – Sadi Machado e Grupo Marca de Casco


12ª Festival de Música Crioula de Santiago – Santiago – RS – 1995.
Composição que conquistou o prêmio de Música Mais Popular.

CANDIDATO MAL DE VIDA

Letra: Sadi Machado
Música: Grupo Marca de Casco
Intérpretes Sadi Machado e Grupo Marca de Casco

Negra meu bem, me passe meu lenço branco,
Passe um cebo nos tamancos, eu vou pras vilas batalhar
Se tu puder, dá uma passada nos morros
E pede pra atar os cachorros, Deus o livre me “pegá”
Só não esqueça, tua mesa é na pedreira,
Tu não vai fazer besteira, tu não pensa em me “enganá”

Negra meu bem, no calçadão e na praça
Beija e abraça todos nossos eleitor
Leva parelho, preto e branco e mal trajado,
Porque o voto de pelado vale igual ao de doutor

A rapazeada não podemos dar moleza,
Se quiserem pão na mesa vão ter que “trabaiá”
Eu não sou Deus pra ser pai de todo mundo,
Se o barbado é vagabundo, tem mais é que se “virá”
Vou pra Gaspar, e pra Bonato, e pra São Jorge,
Vai ser só na “Lei do Borge”, não tenho nada pra “dá”

E amanhã cedo eu me vou pra Vila Nova,
Vila Rica, Guavirova e de lá pro Batalhão
Se tu puder, me avisa aquela gente,
Que esse ano é diferente, eu vou dar pau em vez de pão

Na Vila Itu, São Vicente e Belizário,
Esse povo é extraordinário e eu posso mesmo confiar
Da Boa Vista vou pro Rincão dos Castilho,
“As mãe” que chamem “os filho”, cheguei pra visitar
Quem não conhece essa figura carismática,
Tão bondosa e tão simpática, se elege pra lhe “ajudá”

Bendita Essa Gurizada – Dartagnan Portela e Ita Cunha


23ª Tafona da Canção Nativa – Osório -RS – 2013.

BENDITA ESSA GURIZADA

Letra: Jaime Brum Carlos
Música: Sabani Felipe de Souza
Intérprete: Dartagnan Portela e Ita Cunha

Bendita essa gurizada
Que se pilcha e vai pra rua,
Galitos trocando as penas,
Recém apontando as puas…

Mateiam pelas esquinas
E avenidas da cidade,
E enchem de telurismo
Os bancos da faculdades.

O seu galpão é a varanda
De um prédio no condomínio
E os muros, cercas de pedra,
Que não prendem seus fascínios

Pelas metáforas “gauchas”
Nas milongas e payadas
Que escutam nos fins de tarde,
Nos piquetes das calçadas.

Meu verso canta e se encanta
Com estes jovens povoeiros,
Que amam o nosso campo,
Mesmo não sendo campeiros.

Não se prendem à convenções
De pilchas preconcebidas,
Pois seu amor pelo pago
Não têm cores nem medidas.

Trazem a xucra rebeldia
Em repúdio aos preconceitos,
Mas ante ao Hino Rio-grandense
Se perfilam por respeito.

Seus olhos vislumbram campos
Nas nuanças do pensamento,
Pendurados nas paredes
Da sala do apartamento.

Pois têm no subconsciente
Raízes intemporais,
Repulsando nas entranhas
A seiva dos ancestrais.