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Pássaro Perdido – Marco Aurélio Vasconcellos e Os Posteiros


8ª Califórnia da Canção Nativa do RS – Uruguaiana – RS – 1978.
Composição vencedora na Linha de Manifestação Rio-Grandense. Os Posterios conquistaram o troféu de Melhor Conjunto Instrumenmtal nessa edição da Califórnia.

PÁSSARO PERDIDO

Letra: Gilberto Carvalho
Música: Marco Aurélio Vasconcellos
Intérpretes: Marco Aurélio Vasconcellos e Os Posteiros

Bom cavalo, arreio bom
Pilcha simples, bem cuidada
E uma estampa de monarca
Mesmo tendo quase nada

Palha, fumo, carne gorda
Erva buena não faltava
Pro índio flor de campeiro
Serviço sempre sobrava

Veio a visão da cidade
E o pago se fez lembrança
Hoje amarga dura vida
Num pôr-de-sol de esperança

Cativo ao brete das ruas
Como pássaro perdido
Negaceando alguma changa
Pro prato tão diminuído

Por isso, quando se encontra
No espelho fundo de si
Ouve o tempo debochando
“Bem-te-vi, já te vi bem
Já te vi bem, bem-te-vi”.

O Choro da Carreta – Leonardo Díaz Morales


20ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2009.
Composição premiada com o Segundo Lugar e o Melhor Arranjo.

O CHORO DA CARRETA

Letra: Rafael Teixeira Chiappetta
Música: Sabani Felipe de Souza
Intérprete: Leonardo Díaz Morales

Chora carreta, chora…
Chora teu choro na estrada,
Chora no passo dos bois
Que a pua vem da guilhada.

Gemendo vai a carreta
E o rumo fica traçado,
Pede passagem na pampa
Com seu gemido chorado.

Chora carreta chora…
Chora teu choro manhoso,
Chora carreta gaúcha
Pra virar rancho no poso.

Quando parada a carreta
É o rancho do carreteiro
É só leva na quincha
A casa do João Barreiro.

Chora carreta, chora…
Chora teu choro entoado,
Chora carreta esquecida
Como chamando o passado.

No gira-gira da vida,
Sempre virá o depois…
Hoje se vai a carreta,
Sempre na frente dos bois.

A pressa veio maleva,
Golpeado aquele que corre…
Alubunou-se as estradas
E mais ligeiro se morre.

O tempo vem sem piedade
Com outro clamor no bordão,
Então ficou a carreta
Chorando na minha canção.

Na Ponta do Laço – Joaquim Brasil


10º Canto Farroupilha de Alegrete – Alegrete – RS – 2018.

NA PONTA DO LAÇO

Letra: Maximiliano Alves de Moraes
Melodia: Joaquim Brasil e Gustavo Vilaverde
Intérprete: Joaquim Brasil

Uma tropa que tranqueia
Em derradeiro reponte,
Deixando poeira saudosa
A se sumir no horizonte.

Como a carreta toldada
Que já descansa silente
Formando imagem prostrada
Contra o vermelho poente.

Igual a um baile de rancho
Que o candeeiro apaga a chama,
Ou uma cerca de pedra
Trocada por aço e tramas.

Se vai o canto gaúcho
Junto com a sua essência!
Segue aguentando o repuxo
Quem tem alma de querência!

Como uma quente porfia
Rodeando um fogo de chão,
Que já perdeu argumento
E o frio invade o galpão.

Ou como um tiro de bola
Da mão de um índio charrua,
Que já virou Três Marias
Pra bolear quartos de lua.

Mas há canários pampeanos
Que ainda cantam com glória.
Cantar querência e passado
É manter viva uma história!

E atira a armada dos versos
Para manter seu espaço
E o tirador dos legados
Escora a ponta do laço!

Lembranças – José Fernando Santos e Os Cantores dos Sete Povos


4ª Ciranda Musical Teuto-Riograndense – Taquara – RS – 1980.

LEMBRANÇAS

Letra: Telmo de Lima Freitas
Música: Telmo de Lima Freitas
Intérpretes: José Fernando Santos e Os Cantores dos Sete Povos

Quando as almas perdidas se encontram…
Machucadas pelo desprazer,
Um aceno dum riso, apenas,
Dá vontade da gente viver.

São os velhos mistérios da vida,
Rebenqueados pelo dia-a-dia…
Já cansados de tanta tristeza
Vão em busca de nova alegria.

Ao morrer desta tarde morena,
Quando o sol, despacito, se vai…
As lembranças tranqueiam com as águas
Passageiras do rio Uruguai.

As guitarras, eternas cigarras,
Entre as flores dos velhos ipês,
Sempre vivas, dormidas se acordam,
Na lembrança da primeira vez.

Golpes – César Oliveira


17ª Ronda de São Pedro – São Borja – RS – 1998.
Composição vencedora do Terceiro Lugar.

GOLPES

Letra: Carlos Omar Villela Gomes
Música: Evandro Zamberlam
Intérprete: César Oliveira

Num golpe de sorte joguei o meu laço…
Pealei, nesse abraço, um sonho qualquer;
Cruzei os destinos na linha da vida,
Ganhando a corrida, seguindo de pé.

Num golpe de vista mirei o horizonte,
Campeando repontes de luz e paixão;
A força da alma brotou por acaso,
Clareando o ocaso do meu chimarrão.

Cansado da estrada, forjei outra sina
No bronze da china que me enfeitiçou…
E a paz, que eu buscava nas trilhas compridas,
Achei na guarida que a vida mostrou.

Num golpe de adaga sangrei a incerteza,
Larguei a tristeza de um mundo tão só;
Busquei as verdades de um rumo seguro
E vi que o futuro não era de pó.

Assim fui deixando meu tino gaudério
Na luz de um mistério de estranho sabor
E o beijo mais puro que tive nos lábios,
Calou meus ressábios num golpe de amor.

Flor do Mar – Jairo Lambari Fernandes, César Oliveira e Nilton Ferreira


30ª Califórnia da Canção Nativa do RS – Uruguaiana – RS – 2001.
Vencedora da Linha Rio-Grandense e Melhor Cancão Inédita.

FLOR DO MAR

Letra: Jairo Lambari Fernandes
Música: Jairo Lambari Fernandes
Intérpretes: Jairo Lambari Fernandes, César Oliveira e Nilton Ferreira

Singrando estas águas vai o coração
Feito um barco frágil sem direção
Morrer de sede não é o fim
Matar a sede, sim…

Meus sonhos trazem velas nesta solidão
Náufragos do medo, fogo da paixão
Quando se perde a luz do farol
A nau se perde…

A luz que vem dos olhos guia a embarcação
Que anda à deriva sem tripulação, só meu coração
Os sonhos e as canções que guardei pra ti
No breu das inquietudes eu sobrevivi, quase morri…

Só me resta navegar…
Nestes mares do silêncio, navegar
Navegar teu olhar, no negror destas retinas
Flor do mar, doce menina, em teu corpo navegar

À estibordo a tempestade enlouquece o mar
Mas eu pago o preço que me cobrar
À bombordo os meus olhos trazem calmarias
Na leveza dos braços de quem eu queria

Há recifes e corais nos mares do amor
Rota insana, marca de mágoa e de dor pra um navegador
A lágrima que um dia se juntou ao mar
Levou os meus segredos para te contar, se te encontrar…

Embaixo dos Bastos – Jairo Lambari Fernandes


11º Ponche Verde da Canção Gaúcha – Dom Pedrito – RS – 1996.

EMBAIXO DOS BASTOS

Letra: José Carlos Batista de Deus
Música: Jairo Lambari Fernandes
Intérprete: Jairo Lambari Fernandes

Até parece um retrato tirado em dia de festa…
Chapéu clareando na testa cada vez que me enforquilho
Num dos crioulos que encilho pra me tornar soberano,
Frente ao destino cigano que passa de pai pra filho.

Feito uma estrela cadente que alumbra algum descampado
– Meu baio, de cacho atado, atira o freio por graça;
Honrando o garbo da raça que a própria história carrega
E pisa sobre as macegas igual se andasse na praça.

Quando trago uma rosilha, serena, embaixo dos bastos,
Remendo os caminhos gastos, me boleando desse altar!
Hay yerba para matear; um galpão pras guitarreadas;
Um verso nas madrugadas e um grilo pra me escutar.

Se meus bastos não têm velas pra navegar nos varzedos,
Sei que me basta o segredo de apertar cincha e bocal
E me agrandar no recau de um mouro que há tresontonte
Cismou ser mais que o horizonte, bebendo a estrada real.

Um gateado – flor de estampa – pra pontear uma tropa bruta
Ou sair em reculuta sem ter pressa de volver;
Quem faz a vida escorrer na cadência de um bom pingo,
Traz um olhar de domingo pra cada sol que nascer.