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Lageana – Joca Martins


11ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2003.

LAGEANA

Letra: Mauro Moraes
Música: Mauro Moraes
Intérprete: Joca Martins

Vim camperear um pouco,
“Loco” pra “atá” o cavalo,
Aqui, onde a gralha canta
E uma lageana planta
Os sonhos dobrados.

Nos campos de cima da serra,
“Grudadito nas garra”,
Botei uma gineteada
Onde a alma aguenta qualquer tirão
Do verde dos pinheirais,
Temperado nas araucárias,
D’onde a serrana charla
E embuçala o coração.

Devagar nas pedra,
Nem de boca atada
Ou preso pelo estribo,
Eu deixo o sul pra sinuelo,
Entrego “os pelego”
E largo o lombilho!

Junto à Um Casal de Barreiros – Joca Martins


2ª Canoa do Canto Nativo – Canoas – RS – 2004.

JUNTO À UM CASAL DE BARREIROS

Letra: Eduardo Soares
Música: Joca Martins
Intérprete: Joca Martins

Um potreiro junto às casas
Pra cavalhada da encilha
Silhueta de estância grande
Mouras, gateadas, rosilhas
Se perfilando na forma
Aos gritos do peão ponteiro
No ritual velho campeiro
De embuçalar a tropilha

Um casal de “joão barreiros”
No galho da pitangueira
Que amanhaceu florecida
Com brilhos de primavera
Bombeiam longe seu rancho
Erguido junto à tronqueira
No costado da porteira
Altar de campo e de espera

Num florão de pingo
Num trote chasqueiro
Se vai o campeiro
De novo pra lida,
O jeito de estância
A alma de campo
Saudade de um rancho
Num sonho de vida

Na volta da campereada
No fim de mais outro dia
Um mate bueno cevado
Com gosto de nostalgia
Quem sabe as almas do campo
Deixem a prenda na espera
Para me abrir a cancela
Com saudade e alegria

Quem sabe a tarde se finde
Num pôr de sol da campanha
E eu siga mateando manso
Bombeando ao largo o potreiro
Talvez por ser um fronteiro
Tenha o destino de tantos
Cuidar tropilhas e campos
Junto à um casal de barreiros.

Gateada Madrinha – Luiz Marenco


11ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2000.
Composição premiada pelo Terceiro Lugar e Melhor Tema Campeiro.

GATEADA MADRINHA

Letra: Marcio Nunes Corrêa
Música: Luiz Marenco
Intérprete: Luiz Marenco

Vinha o sol de bico aberto no canto de um galo novo
e a manhã fazendo pouso lá por detrás do capão,
a indiada apertando a cincha, num bate-bate de argolas,
e um choro fino de esporas, como clarim do galpão.

Eguada de cria ao pé, com sereno no topete,
que clareou costeando o brete, talvez pressentindo o chão;
cada tordilha mais linda, umas chucras, outras mansas
e um cusco que é das confianças pra lidar com a criação.

Num grito de – abre a porteira – tropilha se esparramando,
a potrada se trompando contra as éguas na saída…
mais lembrava um olho d`agua, que da terra ia surgindo,
e serpenteava sumindo, por entre a várzea comprida.

No lombo de um zaino louco, sestroso e passarinheiro,
um campeiro abria o peito entre a poeira e o tropel;
até previa o momento que o maula fosse sentando,
renegando de um zurrilho, que, há dias, se foi pro céu.

Um cincerro no pescoço, num costado musical,
de uma gateada Cardal, madrinha por experiência.
O capataz, bem de longe, num bico branco calçado,
parecia um delegado nos setembros da querência.

Talvez tivesse na idéia, mirando campo e estrada,
de soltar esta gateada na frente de outra tropilha,
pra invernar n’algum rincão, os tubunas do poder,
Que fazem o povo sofrer, taperando estas coxilhas.

Filosofia de Andejo – Luiz Marenco


11ª Coxilha Nativista – Cruz Alta – RS – 1991.

FILOSOFIA DE ANDEJO

Letra: Jayme Caetano Braun
Música: Luiz Marenco
Intérprete: Luiz Marenco

Frente ao caminho me calo
e o pensamento sofreno:
o mundo é muito pequeno
pras patas do meu cavalo!

Nesta jornada terrena,
aprende muito quem anda,
sempre que a alma se agranda,
a estrada fica pequena!

A carpeta da distância
é a escola do jogador,
se invide mais de um amor,
mas só se perde uma infância.

O jogo da redoblona
é a lei maior do combate;
nunca se agradece o mate,
se tem água na cambona!

Por escondido que seja
o rancho que tem bailanta,
guitarra, gaita e percanta,
meu flete sempre fareja!

O amor, ao chão, não tem preço,
se aprende desde piazito,
o brabo é achar o caminho
pra retornar ao começo!

Onde hay vaca, existe touro
– este é o primeiro decreto!
E até o mais analfabeto
Sabe brincar de namoro!

Eu penso, penso e repenso:
ninguém nasce pra ser mau!
Quem usa freio de pau,
é por gostar do silêncio!

Deve haver algum feitiço
depois que o tempo nos laça,
o mundo não tinha graça,
se a vida fosse só isso!

El Martillero – Jari Terres e Evair Gomez


8º Um Canto Para Martín Fierro – Santana do Livramento – RS – 2006.
Composição premiada com o Terceiro Lugar e Melhor Apresentação de Palco.

EL MARTILLERO

Letra: Christian Davesac
Música: Edilberto Bérgamo
Recitado: Evair Gomez
Intérprete: Jari Terres

Puerta…
Cincuenta son las novillas,
punta cortada den la orilla.
Del rio negro y el souzal,
criollas del principal.
Cara blanca d’El Estero,
con aplomos del puestero
de la hacienda nacional.

¿Cuanto vale un buen rodeo?…
– trabajando el martillero –
¡Un millón de peso o más!…
Se levantá en otra punta,
un señor con la pregunta:
¿Si están libres de preñes?…

Y llamo sin más talvez,
el rubio Don Ibáñes,
que ya tiene pa’ empezarlo…
De retruco, Don Ayala:
– ¡Un millón es poca plata,
le doy cien por el regalo!…

– ¡Un millón y cien!… ¿Doscientos?
– ¡Estoy vendiendo El Estero!
– ¡Con dos años, pa’entorar!
– ¡Ciento veinte… un plazo largo!
– ¡Trescientos le oí del Paco!…
– ¡Cuatrocientos y además!

– ¡Mire vos, que desarrollo,
cuatrocientos kilo a ojo,
y hay más en los corrales!…
– ¡Quinientos pa’echarle cuenta
que se entrega cosa buena!…
– ¡Un, dos, tres… Don ibáñez!…

Se va al tranco el martillero,
noche adentro y el sendero,
casa llena y nada más…
Que el servicio ganadero
es ser más que un estanciero
en su campo a trabajar.

Dalva Negra – Marcelo Oliveira


21ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2013.

DALVA NEGRA

Letra: Rafael Teixeira Chiapetta
Música: Marcelo Oliveira
Intérprete: Marcelo Oliveira

Negra linda como a noite
Que se estende na planura
Pele macia de negra
Cor de pitanga madura

Só eu que sei o teu nome
Nunca contei a ninguém
Quem tanto quis descobrir
Pois não valia um vintém

Mas que florão de donzela
Flor bela deste rincão
Que inspira os brotos da alma
Nas cordas do meu violão

Negra dos meus encantos
Cantos que canto pra ti
Em todas outras por Dalva
Mais bela que tu nunca vi

Prenda que és linda por negra
Pitanga doce num beijo
Que tem dois olhos picaços
Templados de lunarejo

Banhando esta flor de morena
Na água corrente da sanga
Minha alma toda se adoça
Provando desta pitanga

Quando solito no rancho
Floreando o meu violão
Te trago dentro do peito
No tronco do meu coração

Assim te vou descobrindo
Em cada nota floreada
Te vejo então Dalva negra
Com raios de lua encantada

Canção das Pedras Brancas – Marlene Pastro


3ª Reculuta da Canção Crioula – Guaíba – RS – 1985.
Composição premiada com o Melhor Arranjo, Melhor Tema Épico e Melhor Intérprete Feminino (Marlene Pastro)

CANÇÃO DAS PEDRAS BRANCAS

Letra: Alcy Cheuiche
Música: Marlene Pastro
Intérprete: Marlene Pastro

Meus sete filhos varões
Atravessaram o Guaíba
Meus olhos não vêem mais
A grande vela encardida
Do barco dos liberais

Guerra, Guerra, aos Imperiais!
Guerra, Guerra, aos Imperiais!

Meus sete filhos varões
Peleando ao lado do pai
São sete noites de amor
Doendo dentro de mim
A dor de sete punhais

Guerra, Guerra, aos Imperiais!
Guerra, Guerra, aos Imperiais!

O gado todo extraviado
A casa quase tapera
As mãos sangrando no arado
Cabelos brancos na espera
Dos filhos que não vêm mais…

Guerra, Guerra, aos Imperiais!
Guerra, Guerra, aos Imperiais!

Meus sete filhos varões
Morrendo ao lado do pai
São sete flores de amor
Murchando dentro de mim
No ponche verde da paz!…

Guerra, Guerra, aos Imperiais!
Guerra, Guerra, aos Imperiais!
Guerra, Guerra à Guerra!…