Arquivo do autor:festivaisnativistassul

Campo Afora – Jari Terres


5º Chamamento da Arte Nativa – Santana da Boa Vista – RS – 1998.

CAMPO AFORA

Letra: Rogério Ávila
Música: Jari Terres
Intérprete: Jari Terres

Quando desato meu laço
Para fazer uma armada
Num fundo de invernada,
Se torna parte de mim.
Dos lóros faço meu chão,
Pra riba peço a benção
E o resto, já sei o fim.

Meu cusco, abaixo do estribo,
De tempos… Sabe a história;
Do laço a trajetória
‘Inté’ cerrar junto às mãos;
Embora ‘tando’ solito,
Abro o peito e pego o grito
Quando a rês encontra o chão.

O tombo é consequência
Da confiança do meu braço
E o tropel, então, se corta
Na outra ponta do laço;
O tombo é uma consequência
Na outra ponta do laço.

Meu pingo pressente a lida
No abotoar da presilha,
Se, assim, me clareia o dia
Com ganas de ver o golpe;
Por mais que a rês mande pata,
Da corda ela não escapa,
Depois que preparo o bote!

A Flor do Cabo da Faca – Marcelo Oliveira e Ricardo Bergha


10ª Sentinela da Canção Nativa – Caçapava do Sul – RS – 2012.
Composição premiada como Melhor Letra.

A FLOR DO CABO DA FACA

Letra: Filipe Calvete Corso e Rafael Ferreira
Música: Filipe Calvete Corso
Recitado: Ricardo Comasseto
Intérpretes: Marcelo Oliveira e Ricardo Bergha

“Carrego uma flor do campo,
Que na cintura se une,
Muitos lhe acham perigo,
Eu trago pelo costume.
Minha flor carrega um brilho
Que, em outras, causas ciúme
E, embora, sempre comigo,
Nunca senti seu perfume.”

A flor que brotou solita,
Sem precisar primaveras,
Trazendo o brilho do ouro
Na sua imagem singela.
Carrega, junto do corpo,
Sua mensagem sincera
Que, mesmo assim, sem ter vida,
A vida se mostra nela.

Talvez bem mais que um romance,
Com juras se faz paixão,
Na prata nasce o desenho
Por conta da inspiração.
E, assim, por ser “pequenita”,
A flor conhece a razão,
Vem e se aninha, escondida,
Por debaixo da minha mão.

Tem a arte presa ao campo,
Num relevo detalhado,
Onde as pétalas comungam
A vida de lado a lado.
Se alguém lhe olha comigo,
Já pensa, ensimesmado,
Melhor manter o respeito
Pra evitar um estrago.

Essa flor carrega o lume
Que habita o brilho da prata
E, embora, bem desenhada
Nunca estampou serenata.
Vive, assim, emudecida
Na sina que lhe arrebata,
Tem ganas de ser do campo
Mas é do cabo da faca.

Vida de Peão – Rogério Villagran


2ª Estância da Canção Gaúcha – São Gabriel – RS – 1996.
Prêmio de Melhor Indumentária para Rogério Villagran.

VIDA DE PEÃO

Letra: Rogério Villagran
Música: Ênio Medeiros
Intérprete: Rogério Villagran

Com minha mala no ombro, chapéu de aba tapeada
Um “pañuelo” colorado e o pala da cor da geada
Quando o sol mostra o “fucinho” entre os ramos da canhada
Eu já tô com “as troxa” pronta esperando na parada

A embarcação barulhenta se arrasta batendo lata
Levo lembranças amigas, “recuerdo, saludo e plata”
Esta noite eu perco a doma e arrasto as alpargatas
Lá no rancho do Abrelino e nos braços de uma mulata

De vez em quando, quando posso
Dou uma “voltita” no povo
Tiro uns três ou quatro dias
De retoço com “as guria”
E volto pra estância de novo

“Já paguei conta atrasada
Sempre fui bom pagador
E na rua do chapéu
Posei enredado de amor
Comprei um par de bota nova
E um poncho bueno, de fato
E domingo gastei “uns trago”
Com “as moça” do maragato”

Segunda-feira, bem cedo, acordo “loco” de pena
De não ter guardado um quilo pros carinhos da morena
Volto à estância novamente, pois esta vida é um confronto
“Rebentando” aspa de boi, trompando égua dos encontro.

Buena Vida – Jairo Lambari Fernandes


14ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2003.
Composição que recebeu o troféu “Cachoeira dos Arrozais”, pelo Primeiro Lugar.

BUENA VIDA

Letra: Jairo Lambari Fernandes
Música: Jairo Lambari Fernandes
Intérprete: Jairo Lambari Fernandes

A tarde rompe em luz mansa e serena
Vida buena, buena vida
O mate amarga mais esta partida
Maula vida desmedida

Saudade é rio que corre das retinas
Nublando o olhar de quem se vai
Pedindo ao tempo que não se atrase
E a volta o mês que vem, me traga a paz

A paz que tem nos braços do abraço
Na luz que vem da flor do teu olhar
Num beijo de acender a madrugada
Pra um sonho que haveremos de sonhar

O teu rancho, o meu refúgio, vida buena
Nestes mates madrugueiros
Buena vida, desmedida vida buena

Se vivo dia a dia é só por ti
Tu és o meu limite de visão
Num verbo conjugado no presente
Amar, falar com a voz do coração

Sonhei com teu olhar beirando o rio
E um frio me acordou na solidão
E vi o teu lugar calmo e vazio
Amar, chorar a dor do coraçao.

Terra – Marcelo Oliveira e Quarteto Coração de Potro


20ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2012.

TERRA

Letra: Adriano Silva Alves
Música: Cristian Camargo
Intérpretes: Marcelo Oliveira e Quarteto Coração de Potro

Choro o mesmo pranto, que guarda o encanto
Quando escuto teu silêncio;
Na ilusão do tempo, que repete ao vento,
Um canto…

Com razões contidas, chegada e partida
Benção clara de semente;
Que acolhe em teu ventre, que banha em vertente,
A vida…

Alma peregrina em seu destino de cruzar
Paciência que ensina, a cada dia um caminhar;
Andar…

Choro o pranto terra,
Que teu pranto encerra, na flor vida, que se abriu;
Lágrima que escorre e em silêncio dorme,
Em rio…

Solitário o tempo,
Andarilho o vento, face clara, lua inteira;
Fruto que envelhece, que renasce e cresce,
Poeira…

“Sou filho em teu ventre, me banha em vertente a vida
Fruto que envelhece, que renasce e cresce, poeira,
Alma peregrina em seu destino de cruzar;
Choro o mesmo canto, que vive em teu pranto, terra”…

Se Um Dia Tu Chegares – Lisandro Amaral


8º Canto Moleque da Canção Nativa – Candiota – RS – 1998.
Composição vencedora do festival.

SE UM DIA TU CHEGARES

Letra: Lisandro Amaral
Música: Cristian Camargo
Intérprete: Lisandro Amaral

Se um dia tu chegares frente ao rancho
Com sorriso de quem veio pra ficar
Vou mostrar a flor mais bela destes campos
Sem colher, a vida em flor vou te ofertar

Tenho lua e o sol no céu dos meus silêncios
Nas canções um rio de alma e soledade
Esta flor do amor tem sede dos teus olhos
E o meu mate um verde gosto de saudade

Se um dia tu chegares frente ao rancho
Com sorriso de quem veio pra ficar
Lua e sol virão no azul dos meus silêncios
E o meu céu terá um sorriso pra chorar

Planto alma e cinamomos pro verão
Pr’o inverno, esperanças galponeiras
Primaveras estreladas junto a ti
E este sonho pra durar a vida inteira.

Uma Milonga e Mais Nada – Marcelo Oliveira


8º Canto Farroupilha do Alegrete – RS – 2016.
Composição premiada com o Terceiro Lugar e Melhor Intérprete (Marcelo Oliveira).

UMA MILONGA E MAIS NADA

Letra: Filipe Corso
Melodia: Cristian Camargo
Intérprete: Marcelo Oliveira

Uma milonga e mais nada,
No baile lá do rincão,
Era o motivo que eu tinha
Pra pegar na tua mão.

Cheguei assim, de mansinho,
Como quem cuida um pecado
Pedindo um: Dança comigo?
Com o timbre encabulado.

Ganhei um sim tão baixinho
E nos olhamos de frente,
Buscando o passo pra dança,
Buscando amor, de repente.

Senti teu cheiro tão doce,
Igual mel de camoatim,
E o couro fino da mão
Tão liso qual um cetim.

E a tua voz de cordeona chorona
Me contestava carinho, baixinho,
E os olhos claros de lua crescente
Miravam os meus, pertinho.

E uma cadente de ciúmes quedou-se
E ganhou forma de flor no cabelo
Tu, no compasso do passo, da dança,
Junto aos meus braços com zelo.

Quando encostava o rostinho
E teu nome me contava,
Deixou marcado em batom
O lenço branco que usava.

Não faz mal a até foi bom
Pois, assim, levo pra mim
Tua boquinha de pitanga
E teu perfume de jasmim.

Mas ressentido é meu canto,
Pois foi a dança e mais nada,
Ao te deixar solitária
Em meio a sala, largada.

Mas foi o medo, minha linda,
Que me cessou o desejo
De te dar sim, por amante,
E ganhar não por um beijo.

Uma milonga e mais nada
É o meu motivo de agora,
Pois me envergonha o silêncio
Que te ofertei outra hora.

Além da mão, eu te quero,
Pra te jurar com confiança,
O meu amor bailarino
Pra continuarmos a dança.