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Benquerença – César Passarinho


5ª Seara da Canção – Carazinho – RS – 1985.
Composição premiada em primeiro ligar na Categoria Nativista, Prêmio Especial sobre Emoções Gáuchas e Melhor Conjunto Instrumental.

BENQUERENÇA

Letra: João Batista Machado
Melodia: Julio Machado da Silva Filho
Intérprete: César Passarinho

Da meia-noite pra o dia,
Quando o pago ainda dormia,
Com um beijo eu te acordei…
Assumir a um compromisso,
Foi então, somente, por isso
Que de ti me separei.

Memorizei os teus olhos,
Que me olhavam da porteira,
E eles foram luas cheias,
Clareando minha vida inteira.

Depois de tempos passados,
De balancear os trocados,
Dei de rédea ao coração…
Voltei voando, como o vento,
Sem tirar do pensamento,
Tu, mulher; meu lar, meu chão.

A lo largo, eu aprendi
Muita coisa de valor…
Mas nenhuma me ensinou
A viver sem teu amor.

Me abraça forte, querida,
Hoje eu vou cobrar da vida
As noites que não dormi.
Me alivia em teu carinho,
Enquanto eu digo, baixinho,
Um verso quue fiz pra ti.

Não há nada mais bonito
Que o murmúrio da tua voz…
E um piazito trabuzana
Fazendo festa pra nós.

Arrastando as Chilenas – Rodrigo César da Silva


1º Acorde da Canção Nativa – Camaquã – RS – 2005.
Composição premiada como Música Mais Popular.

ARRASTANDO AS CHILENAS

Letra: Rodrigo César da Silva
Música: Rafael César da Silva
Intérprete: Rodrigo César da Silva

Mas credo…
Já ouço o trim do ferro das esporas!
Passei a semana toda forcejnado,
Sábado e domingo hay baile pra fora.

Saio ao tranquito, imaginando a hora
De entrar no baile arrastando as chilenas,
Dançar rancheira no meio da sala,
Fazendo agrado pra alguma morena.

A Maria se pinta e arruma o cabelo, botando uma flor…
Pensando no João Pedro, gaúcho faceiro, que é o seu amor.
A velha Josefina parece menina pelo sarandeio,
Levanta poeira no saracoteio e deixa num trapo o velho Nicanor!

Faz tempo…
Que esses fandangos já são conhecidos!
Mulher casada dança a noite inteira,
Mulher solteira procura marido.

O pai da moça bombeia na sala,
Pra ver se a filha não tá namorando.
De vez em quando uma briga na copa…
Apartemo a tropa e “seguimo” dançando.

Vozes de Campo – Os Tiranos


11º Ronco do Bugio – São Francisco de Paula – RS – 1997.

VOZES DE CAMPO

Letra: Ângelo Marques e Ricardo Marques
Música: Léo Ribeiro de Souza
Intérprete: Os Tiranos

Esses homens que cantam terrunhos encantos,
Sem mudar de tranco rebrotam das cinzas…
Iguais às cigarras a cada verão
E não há, meu irmão, uma cantiga mais linda.

Um jogo de fóle, um entono campeiro,
Uns versos brejeiros cantados com calma
São armas que uso pra manterem vivas
As essências nativas que trago na alma.

Se é bagual, é bagual! Se é bugio, é bugio!
Tá escrito na neve do chão…
Esse ronco é meu filho, eu sou filho do frio
Com braseiros pelo coração.

Quem perde a raíz, esquece sua gente
E logo na frente já muda a estampa…
Por isso não custa trazer no costado
Crioulos legados deixados na Pampa.

O eco das gaitas são vozes do campo…
Poncho não é manto, poço não é rio!
Quem acende fogo tem lenha por perto,
Quem tem pulso aberto não toca bugio!

Terrinha – Mauro Moraes e César Santos


38ª Califórnia da Canção Nativa do RS – 2014.

TERRINHA

Letra: Mauro Moraes
Melodia: Mauro Moraes
Intérpretes: Mauro Moraes e César Santos

Na ponte de Uruguaiana, o rastro dos meus amigos…

Contando os dormentes onde assentam os trilhos,
Carril de ferro em que passa o trem
No passo das trocas os dois lados da fronteira
Mas chê de Deus que vai e vem…

Eu trago chibo de Libres, unas cositas miúdas
Fidel, sabão, remolacha e alguns mijado nas curtas…
No chisme a tal da atochada, se a Guarda vier me prender
Num chamamé embolsado, num bolichão do Buraco e sei lá o quê.
– Mas chê, vou te dizê!

Semente e Palavra – Mário Barbará


27ª Califórnia da Canção Nativa do RS – Uruguaiana – RS – 1997.*

SEMENTE E PALAVRA

Letra: Vaine Darde
Melodia: Mauro Moraes
Intérprete: Mário Barbará

Tem vez que a lua desponta
e me encontra
neste exílio fiel,
botando canga no medo,
lavrando com os dedos
palavra e papel.

Reviro a pele dos versos
dispersos
no campo branco das folhas
e planto meu universo
imerso
por onde a lua me olha.

Neste aramado das linhas
vizinhas
de taipas retas e secas
derramo a água das mágoas
daninhas
e planto rimas nas cercas.

Meu pasto mal dá pra o gasto
tão vasto
nesta colheita de sonhos
tamanhos
e levo as tralhas por trilhas
sem rastro
onde a palavra germina meus ganhos.

Todo caderno é um deserto
aberto
pra mão agrária que canta
e que lavra.
A minha sina sulina
eu sustento
jogando ao vento
semente e palavra.