Relato de Um Susto – Tiago Cesarino


13ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2002.

RELATO DE UM SUSTO

Letra: Tadeu Martins
Música: Zulmar Benites
Intérprete: Tiago Cesarino

Fui repassar o bragado
Já no ponto do elogio,
Era um domingo gelado
Que até o sol era frio.
Mesmo no quarto galope
Todo cuidado era pouco,
Qualquer redomão no trote
Mostra o tino de louco.

Cuidando sombra e sinal,
Arreio, barulho e pasto,
Um redomão de bocal
Tem gana dentro do casco.
Parece que o diabo nota
Que o domingo é pra descanso,
Cravou a guampa na bota,
Aonde se cria o ranço.

Dum maço de vassourinha
Vinha um chamado de pio,
Pois era uma perdizinha
Quase morrendo de frio.
Boleei a perna com jeito,
O redomão se ariscou,
Cravei a espora no peito
E o outro pé me resbalou.

Pateando, virou uma foice,
Mais ligeiro que uma bala
E se endiabrou dando coice
No panejar do meu pala.
Um pé maneado no estribo
E a rédea esquerda na mão,
Sem saber qual o motivo
Dei de cabeça no chão.

Me vi naquele extravio,
Entre pulo e manotaço,
Redomão do currupio,
Eu não parei de dar laço!
A desgraça não me gruda
Porque eu nunca fui incréu
Por isso pedi ajuda
Ao “Pai Véio” lá do céu.

Nem terminei o pedido,
A bota saltou do pé!
O animal deu um bufido
E eu já me encontrei de pé!
Corri os olhos no corpo,
Não senti nada quebrado,
Eu não me sentia morto
E sofrenei o bragado.

Pedi desculpa e montei
Com a tarequeira bulida,
“Cuê-Pucha! Agnus Dei!”
Por nada se perde a vida!
Me fui quietito, cismando,
Entendendo a muito custo…
Dois amigos se estranhando
Por causa apenas de um susto.

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