Querência – César Oliveira e Rogério Melo


34ª Califórnia da Canção Nativa do RS – Uruguaiana – RS – 2005.

QUERÊNCIA

Letra: Anomar Danúbio Vieira
Música: Rogério Melo
Recitado: Anomar Danúbio Vieira
Intérpretes: César Oliveira e Rogério Melo

De fronte do galpão grande
Um cerne de curunilha
Palanqueador de tropilhas
Cravado num chão sulino
Sob a luz de um céu divino
O campo que não se entrega
A pata e a peito de égua
Vai ressabiando o destino

A várzea se estende longe
Vista do fundo das casas
E um campeiro cria asas
Repassando a bagualada
Quem tem olhos de invernada
E ânsias crioulas no peito
Faz o que deve ser feito
E o resto ajeita na estrada.

A fibra desta querência
Vem das lidas campo à fora
Trazendo pátria na espora
E no cantar do fronteiriço
Mescla de ciência e feitiço
Timbrada a berro de gado
E a bufo de mal-costeado
Que se amansou no serviço.

De dia… sol e nuances
De noite… romances e lua
Nesta querência xirua
Cada vez mais entonada
Apartes, tombos, bolcadas
Pealos, rodeios, carreira
E um sotaque de fronteira
“Pa hablar de una jineteada”.

Um paraíso é quem ronda,
De copa mansa e serena,
A velha estância torena
Postal de pampa e coxilha
Jasmineiros, maçanilhas
Enchendo o pago de flores
E pra entreter dissabores
Fumo “bueno” e “figuerilha”

Rincão de gente gaúcha
Vida, terra e liberdade
Quem se vai, sente saudade
Quem volta bendiz a Deus
O mundo é feito de adeus
De apeie e chegue pra diante…
Quem busca um sonho distante
Acha bem perto dos seus!

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