Benzido – Quarteto Coração de Potro


16º Acampamento da Canção Nativa – Campo Bom – RS – 2017.

BENZIDO

Letra: Francisco Brasil
Melodia: Kiko Goulart
Intérprete: Quarteto Coração de Potro

No meu tostado ruano,
costa abaixo rumo a um plano,
correndo com o laço armado:
Rodamos. E o boi se foi…
E o que restou-me depois:
Sarar deste pé quebrado.

Eu te confesso, chinita,
que em muitas manhãs bonitas
eu estive amargurado.
Quando ouvia do ranchito
latidos, touros e gritos
de algum rodeio parado.

Logo que o galo cantava,
eu, por costume, saltava
co’as mágoas daquele azar…
Sem poder calçar as botas!
E o boi brasino nas grotas…
Porque eu não pude atacar!

Foram dias no ranchinho
com as tuas mãos de carinho
e as orações que aprendeu.
Que este paisano, sarando,
cruzou suas tardes mateando
e até da dor esqueceu.

Quando a cuia me alcançava,
certas coisas te contava
dos tempos de’antes de nós.
Com silêncios e ternuras,
renovaste as tuas juras
naquelas noites a sós.

As nossas horas de sesta…
ou as estrelas nas frestas…
outeus olhos: vagalumes.
Foram pra mim, na verdade,
tocar na felicidade,
sentindo a pele e o perfume.

Com uma saudade infinita,
foi que retornei, chinita,
para lidar no rincão.
De qualquer dor esquecido,
como de amores benzido
com as rezas do coração.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s