A Meia Tarde no Açude – Jean Kirchoff


17º Ponche Verde da Canção Gaúcha – Dom Pedrito – RS – 2002.*

A MEIA TARDE NO AÇUDE

Letra: Davi Teixeira
Música: Tiago Abib
Intérpretre: Jean Kirchoff

Meio janeiro, meia tarde, sol inteiro;
Tajãs, marrecas cada qual mais tagarela;
Um touro berra em comando à sua esquadra
Que avança lenta até bater meia costela.

Ali se plantam, ancorados junto à taipa,
Tendo, por diante, a cerca viva de aguapé
E, logo ao lado, em alambrado imaginário
Vai demarcando território, um jacaré.

Cerco fechado apequenando a invernada
E, de lambuja, um lambarizal nos jarretes;
E o gadario não se assusta, mas entende
Que a tropa miúda requisita o ambiente.

Trocam olhares preguiçosos assolhados,
Equanto a eguada “bóca” firme a boiadeira…
E um quero-quero, lá no alto da coxilha,
Toca um clarim reconvocando a tropa inteira.

Enfileirados, passo a passo, sem alarde…
Na mesma marcha lá se vão campeando um verde,
Mas amanhã, no mesmo sol, à meia tarde,
Retornarão pra saciar calor e sede.

Fiel visagem rotineira de campanha,
Que enche os olhos de quem busca a quietude,
Pra esses campeiros que recorrem todo dia
Passa batida a sesmaria do açude.

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