Coplas de Um Pajador Cismado – Jari Terres


Querência do Bugio – 7º Aparte – São Francisdo de Assis – RS – 1999.

COPLAS DE UM PAJADOR CISMADO

Letra: Xirú Antunes
Melodia: Alessandro Ferreira
Intérprete: Jari Terres

Hermanos, se dão licença,
Quero cantar nesta hora.
A intimidade dos mates
Me permitiu estas coplas
Que aprendi com os silêncios
E as rosetas das esporas.

De há muito, rondo a mim mesmo
No universo das campanhas,
A arquitetura das estâncias
E os fogões nos descampados,
Me trazem versos timbrados
Das vivências campechanas.

Sempre a solidão me alcança
Algum mate bem jujado,
Eu trago sempre na alma
Algum manojo de pasto
E encontro filosofias
Escorado no meu basto.

Ao me crismar nos orvalhos,
Apojos da madrugada,
Onde aprendi serenatas
Na voz de grilos cantores,
Compreendi os pajadores
Empunhando suas guitarras.

Quarteei lida nestes campos
Parando largos rodeios
E tropeei muitos sinuelos,
Dois ou três mouros de tiro,
Pra depois sorver domingos
Sentado sobre os arreios.

Se ainda restam palavras
Para cantar o que sinto,
Embora sílabas gastas,
São coplas que não me olvido
E ganho sonhos pelos olhos
Dos potros que vão me ouvindo.

Por isso canto minh’alma
Com pulsos do coração
E se cismei nas guitarras,
Cismei com minhas razões
De andar irmanado ao vento
E à fumaça dos fogões.

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