Lua Chirua – Leonardo Paim


14ª Estância da Canção Gaúcha – São Gabriel – RS – 2006.
Composição premiada com o Primeiro Lugar, Melhor Poesia (Edilberto Teixeira) e Melhor Intérprete (Leonardo Paim)

LUA CHIRUA

Letra: Edilberto Teixeira
Melodia: Ênio Medeiros
Intérprete: Leonardo Paim

A lua é uma gata angorá
Que pisa manso o telhado,
É a geada no descampado
Que ainda não levantou,
É um velo de lã merina,
É um seio branco de china
Que nem o sol não tocou;
 
A lua é prenda que foge
Do rancho do firmamento
E, engarupada no vento,
Vai alumiar a querência
Nos olhos negros da prenda
A lua cheia é uma oferenda
De paz, amor e de ausência
 
Esta lua é uma chirua
Que maltrata o meu sossego
Quando abre a pampa nua
Vem dormir nos meus pelegos.

A lua guia o gaudério
Como um celeste candeeiro
Qundo ele vai, de escoteiro,
Abrindo atalho e caminho.
E atravessando o perau,
Meia noite, ouve o urutau
Chamando a fêmea pra o ninho.

E a lua cá do potrero,
Quando linda vai passando,
Faz minh’alma ir-se cantando
Na amplidão do seu luar
E este azul se azul não fosse,
Seria rima água-doce
De uma canção de ninar. 

Esta lua é uma chirua
Que maltrata o meu sossego
Quando abre a pampa nua
Vem dormir nos meus pelegos.

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