A Mão Que Saca o Pelego – Fabrício Marques


27º Reponte da Canção – São Lourenço do Sul – 2011.
Composição premiada como Melhor Letra.

A MÃO QUE SACA O PELEGO

Letra: Fabrício Marques
Melodia: Cícero Camargo
Intérprete: Fabrício Marques

Na hora morta da tarde, o sol desfeito em retalhos,
Lá no sair da picada, sangrando escorre entre os galhos…
Dando mais vida a poeira que os cascos erguem ao léu
Formando aos poucos um manto de encontro às luzes do céu!

Mais de trezentas ovelhas, entre cordeiro e capão,
Vindo pousar junto “às casa” pelo rigor da ocasião
– Hay que livrar da zorrada e dos “carancho sem asas” –
Que rondam campos alheios e à noite mostram as garras!

Enquanto cuido o rebanho – aos olhos do predador –
Vejo meu povo de campo vivendo o mesmo pavor…
Faz tempo, não é de hoje, que muito “Cristo” sem Cruz
Peregrina estrada afora a maldizer quem produz!…

O graxaim mais malino só cumpre a lei natural…
O outro, aquele que pensa, que é o verdadeiro animal
Mesmo que chibo acuado, nos falta apoio e defesa:
– Berrar não afasta o perigo, só identifica a presa!

Contudo, o bicho tem sina, hay que cumprir seu destino,
Por força da natureza ou de algum mando divino…
E até parece ironia que o homem lhe dê sustento
Depois profira a sentença: – Morrer pra ser alimento!

Decerto aqueles que mandam se espelham nesse manejo
Dando incentivo e respaldo aos que convém ao ensejo
E quem recebe nem nota que faz as vez do borrego:
– A mesma mão que lhe engorda é a que lhe saca o pelego!

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