Mate Novo – Flávio Hanssen e Matheus Leal


20ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2009.
Composição que recebeu o troféu de Melhor Conjunto Instrumental.

MATE NOVO

Letra: Eduardo Muñoz
Música: Carlos Madruga
Intérprete: Flávio Hanssen e Matheus Leal

Há um gosto de mate novo
Quando um romance se faz
E uma antiga esperança
De que não seja fugaz.
A vida assim se remoça,
Cevando luas pros lábios
E a alma mergulha inteira,
Só afogando os ressábios.

Pelo interior das cambonas
Tem sempre água no ponto
Pra sede que dois amantes
Saciam a cada encontro.
Nem no calor das palavras
A emoção se preserva
E se esquece que a pressa
Pode até queimar a erva.

O coração é uma cuia
Longe do alcance da mão,
Vai se curtindo, a lo largo,
Sem nos pedir permissão.
Parte, repleta de sonhos,
Mas nunca volta vazia
E as vezes racha por dentro,
Lacrimejando agonias.

Então, os goles do tempo
Foram lavando esse mate
E recostaram afagos,
Gelando a erva do catre.
E mesmo aquele sorriso
Que no topete se abria,
Desmoronou sem demora
Com as cheias do dia-a-dia.

Quem sabe virando a erva
Eu não encontre a saída,
Talvez encilhar um mate
Só pra esconder as feridas.
Quem sabe sem a rotina
Que ao nossos olhos ofusca,
Eu não descubra à alma adentro
Os jujos que a gente busca.

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