Foi Bem Assim O Que Vi – Rogério Melo


15ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2004.

FOI BEM ASSIM O QUE VI

Letra: Gujo Teixeira e Valério Teixeira
Música: Luiz Marenco
Intérprete: Rogério Melo

Foi bem assim o que vi!
E vou contar-lhes o fato:
na estrada eu vinha de longe
e a cena era um retrato.
De longe bem parecia
só um cavalo e um campeiro,
recostado à sombra mansa,
descansando por tropeiro.

De perto, mudou a cena,
quando banquei meu gateado,
vi um gaúcho estendido
e um zaino “inda” encilhado.
Era um gaúcho qualquer
pelas pilchas, pelo jeito
com uma garrucha na mão
e dois balaços no peito.

Coisa triste de se ver
a morte assim tão de perto,
morreu por bueno, ou por malo,
numa peleia, por certo.
No horizonte estendido
eu avistava “inda” alguém.
Quem foi ligeiro nos tiros
e por ligeiro, ia além.

Não sei se medo ou coragem
– porque os dois não andam juntos –
se acampou na minha alma
e me puxou outro assunto.
Depois bombeei sobre o ombro
quando cruzava a divisa
e o zaino olfateava o sangue
que avermelhava a camisa.

Um amigo olhando o outro
era o que bem parecia,
velando a dor e o silêncio
que eu me fiz que não via.
No outro dia as notícias
chegaram meio em pedaços:
– Uns conheciam o gaúcho,
outros, quem deu os balaços.

Eu, hoje, lhes conto o fato,
depois de tempos passados,
e sei que foi pra vingar
uma morte no povoado.
Por isso, mateio quieto,
que há pouco pra se fazer,
quem não tem nada na vida,
só tem a vida a perder!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s