De Cacho Atado – João de Almeida Neto


9ª Estância da Canção Gaúcha – São Gabriel – RS – 2001.*

DE CACHO ATADO

Letra: Anomar Danúbio Vieira
Música: Carlos Madruga
Intérprete: João de Almeida Neto

Esse meu jeitão antigo
De falar de pingo bueno,
De égua que esconde o toso,
Se arrastando no sereno.
De uma estância de fronteira
Com paraísos copados,
De pala, feito bandeira,
Num verso de cacho atado.

Quando as ânsias pedem vaza
Pela vista galponeira
Numa marca chimarrona
Que vem pedindo porteira,
Eu quebro o cacho de um verso,
Destes de apartar em rodeio,
E agrando o meu universo
De campo em riba do arreio.

Um verso de cacho atado
Têm sesmarias de essência,
Sangue crioulo templado
Na mais nobre procedência.
Um sotaque fronteiriço
Que fala alto por nós,
Quando se afirma um ofício
No timbre forte da voz.

Num domingo de sol quente,
Debochado e sem costeio,
Antes das barras do poente
Na pulperia me apeio.
Retovo um verso gaúcho
Com rimas que achei na estrada
E encurto tempo e distância
Nesta milonga botada.

E este verso “flor e truco”,
Alma de pátria campeira…
Pachola, de cacho atado,
Como quem sai pras carreiras,
Vai sustentando o que digo
Na sina que Deus lhe deu.
Quando falo do Rio Grande,
Falo de um pago que é meu!

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