De Boas Vindas – Angelo Franco


14º Carijo Da Canção Gaúcha – Palmeira das Missões – RS – 1999.

DE BOAS VINDAS

Letra: Gujo Teixeira
Música: Angelo Franco
Intérprete: Angelo Franco

Estendi de novo o meu olhar de boas vindas
até onde essa solidão dava horizonte
larguei pro campo o meu gateado, lombo suado
ando cismado, de alma distante desde “ontonte”.

A voz do fogo falou de novo no meu galpão
mimando a cambona pra um mate novo recém cevado
recuerdos meus, desses antigos feito tapera
“tavam” na espera cuidando um sonho ensimesmado.

Vai pelo tempo o que a alma sente em dizer nada
onde rumo e estrada nem sempre são o mesmo caminho
tem tanta coisa que além dos olhos nos deixa triste
que o sonho insiste em achar ser rumo mesmo sozinho.

Quem sabe a alma dessa fronteira vá mais além
porteira aberta pra os rumos tantos que a vida mostra.
A vida é assim, nos põe na cruz de uma encruzilhada
pra escolher a estrada e buscar aquilo que mais se gosta.

Um dia a sorte reponta todos os cavalos mansos
e um olhar de campo escolhe um bueno pra se encilhar.
Porque a gente passa a vida inteira por ir embora
depois não vê a hora e o quanto é tarde pra se voltar.

E o mesmo olhar de boas vindas vai cuidar ao longe
nos esperando pra um mate novo, noutra volteada
depois que o sonho achar seu rumo por sua conta
e voltar na ponta, num pingo bueno pra contar a estrada.

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