Uma Saudade e Um Galpão – Ricardo Bergha


12ª Sapecada da Serra Catarinense – Lages – SC – 2012.

UMA SAUDADE E UM GALPÃO

Letra: Ramiro Amorim
Música: Kiko Goulart
Intérprete: Ricardo Bergha

Galpão de alma antiga,
Tua sombra me abriga,
E calmo ouço a cantiga
Campechana do vento.
Uma saudade estancieira
Volta a chorar na goteira,
Por uma alma campeira
Que ficou no esquecimento…

Os cavaletes, caronas,
Os preparos de doma…
Bastos, cordas e aromas
– Pela graxa dos aperos –
Paredes mal rebocadas,
Sob a pedra empilhada.
Numa pipa abandonada
Dorme um gato palheiro.

Em teus esteios ficaram
Marcas que se moldaram,
De redomões que sentaram
Tenteando contra o buçal!
Um velho armário de quina,
Com pedra ume e vacina…
Odor de óleo e creolina…
E grampos num embornal

Cedo o apojo tomava
E a terneirada berrava,
Na estrebaria de trava
Sorria a vida pra mim!
Um tempo que foi embora
No silenciar das esporas…
Sorvi o bom destas horas
Sem saber que iam ter fim!

Os barronetes e o estrado
Guardando o sal empilhado
Num gancho, dependurados
Um serigote e um facão.
Na prateleira há uma tarca
Daquele tempo monarca,
Despontadores e marcas
Seguindo a numeração…

A mamangava em achego
Quebrava a paz e o sossego
Da sesta sobre os pelegos
Donde algum índio boceja.
E eu guri, de pés no chão,
Rumava ao velho galpão
Com uma cordinha na mão
Laçando pedra e carqueja…

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