Mate Doce – Florisnei Thomaz


1ª Canoa do Canto Nativo – Canoas – RS – 1996.*

MATE DOCE

Letra: Davi Medina da Silva
Melodia: Florisnei Thomaz
Intérprete: Florisnei Thomaz

Meu pai dizia pra eu matear entre os pequenos
E, aos meus segredos, me restava perguntar:
Por que é que o papo dos adultos têm segredos
E, que aos pequenos, não é permitido entrar?

A mãe trazia, de imediatoo, um mate doce
Que acalantava meus anseios de crescer,
E enquanto o mate dos adultos me encantava
Pelos mistérios que o amargo tem que ter.

Os meus recuerdos me respondem, com firmeza,
Aquilo tudo que eu sempre quis saber:
O mate amargo simboliza a aspereza
Que o mate doce me impedia de sofrer.

Como era doce o mate que aquentava a infância,
Quanta esperança encimesmada em seu calor…
Hoje, na amarga cevadura da lembrança,
Minha criança sorve um mate sem sabor.

A mão de moço sustentava um campo verde,
Que se erguia do porongo pequenino…
Mas eu mateava a vida sem matar a sede,
Nem da garganta nem dos sonhos de menino.

Atravessei os anos, me tornando homem,
Cevando amargos na razão, já bem crescida,
Vendo peões sobrevivendo a dor da fome,
Mateando à noite, que intercalava à lida.

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