Fogoneiras Madrugadas – Cajarana


8ª Reculuta da Canção Crioula – Guaíba – RS – 1991.

FOGONEIRAS MADRUGADAS

Letra: Anomar Danubio Vieira e Eduardo Souza
Música: Mano Oliveira
Intérprete: Cajarana

Queima no fogo um cerne de tarumã
E a indiada quieta ao de redor do braseiro…
Enfrenam anseios de sorver claras manhãs
Num mate bueno de quem sabe acordar cedo.

A madrugada ‘a lo largo’ rompe o Pampa
E se perfila em clarinadas galponeiras.
À cada chiado da cambona que se acanta
Um galo canta romanceado com a boieira.

Brota esperança em cada brasa incandescente…
Na tela quente que tempera esta alvorada,
Adocicando sangue e alma desta gente
Que vive e sente o calor das madrugadas.

Fletes gaviões a quebrar milho no embornal
Floreiam rinchos em chamamentos aos parceiros
Que ao talarear de uma coscorra musical,
Contraponteia as nazarenas dos campeiros.

Campeando anseios ao pintar xucros nuances
Entre carícia de cuia e madrugadores…
Mateando ausência no bojo destes romances,
Ao taura traz em mil recuerdo dos amores.

Mate lavado, quase cinza e o fogo escasso
Que a madrugada foi se embora em despedida.
Um sol nascente com seu pranto trança um laço,
Pealando anseios de sorver a própria vida.

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