De Antanhos, Luzeiros e Canto – Jari Terres


24ª Ronda de São Pedro – São Borja – RS – 2006.

DE ANTANHOS, LUZEIROS E CANTO

Letra: Eron Vaz Mattos
Música: Juliano Gomes e Jari Terres
Intérprete: Jari Terres

Um jujo de lua boa
Mergulhado na cambona
E algumas cinzas à tona
Dão gosto à água que chia;
Se o meu mate principia,
Na madrugada chegando,
Já me encontra galponeando
Começos de um novo dia.

Na joeira dos pensamentos
– Coisas da vida campeira
Que refugaram porteiras
Por buenas ou mal arreadas,
Que depois de pelechadas
Pelos verões da existência
Costumam fazer querência
Na sombra das madrugadas.

Me sobrou canto e guitarra,
Mate, galpão e pelego;
Claras réstias de aconchego
Que, à alma adentro, retenho.
Os recuerdos de onde venho
– Milongueados acalantos –
E o luzeiro desses cantos
Para os escuros que tenho.

Nos tacurus do meu canto,
Os recuerdos fazem ninhos
Com gravetos de caminhos
Por onde andei e vivi;
Tropeçando por aí
Em cupins de caranguejos
Pra repassar aos andejos
Um pouco do que aprendi.

E o mate empoça lembranças
De um tempo que foi tão lindo,
E continua existindo
Por meus adentros, suponho;
Se algo falta, reponho
Com remendos de passado
Sobre os pastos amassados
Por onde dormem meus sonhos.

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