Grito Largo – Luiz Marenco


14ª Tertúlia Musical Nativista – Santa Maria – RS – 1994.
Composição premiada com o troféu “Cezimbra Jacques” pela Melhor Poesia.

GRITO LARGO

Letra: José Carlos Batista de Deus
Música: Fernando Mendes
Intérprete: Luiz Marenco

O vento norte a embalar macegas
E o baio ruano abaralhando o freio…
Solto do peito aquele grito largo,
Marca sagrada de parar rodeio.

Um pouco adiante o cusco atropela
A lebrezita que arrancou do sono…
Bem lá no alto um cupinudo berra,
Como se fosse desse mundo o dono.

Pela invernada vão brotando trilhas,
Riscando o verde de pêlo e poesia…
A cavalhada em disparada longa
E o tranco manso do gado de cria.

A água suja no passo da sanga
Carrega cheiro de pasto pisado…
Um quero-quero recortando os ares,
Mistura jeito de chefe soldado.

Até uma nuvem caminhando lenta,
Chega sedenta no cocho de sal.
Deus participa dessa tarde morna
E deixa à mostra seu amor rural.

Será esse grito de parar rodeio,
Letra de um hino ou cantar de vida?
É certo mesmo que faz bem à alma
E adoça a boca no rigor da lida.

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