Vilera – Adriano Gomes


17ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2006.
Composição premiada com o Segundo Lugar e Melhor Conjunto Instrumental.

VILERA

Letra: Rogério Ávila
Música: Adriano Gomes
Intérprete: Adriano Gomes

De madrugada, no fundo do pátio,
Um galo canta chamando a aurora.
Já fumaceia o fogão à lenha
E a noite escura, assim, se vai embora.

O sol de todos, o poncho dos pobres,
Reluz o cobre na manhã vilera…
Ranchos de tábua, com pátio e ramada,
Alma abençoada, vida corriqueira.

Um trote certo vem batendo “tarro”,
Porque o reparto não merma a volteada…
De litro em litro, vai campeando o norte
Dos que tem sorte de mesa povoada.

A vila desperta na manhã que aquenta
E se apresenta a vida no povoado.
A gurizada cachorreando um “loco”
Que, falquejando um toco, golpeia o machado.

Lá no bolicho o papel de “astaza”
Enrola o pão que o meio quilo alcança,
O real surrado na mão calejada
Que sofre na enxada e não perde a esperança.

Se vem a tarde e a roupa na água
Vai lavando a mágoa do suor na sanga.
Assim o pasto vai quarando a chita
Da moça bonita que vive de changa.

E quando a noite deita o véu na vila
E a querosena acende a luz na mesa,
Que, embora humilde, ilumine a alma
De uma família que vive a pobreza.

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