Batismo – Lisandro Amaral


10º Um Canto Para Martín Fierro – Santana do Livramento – RS – 2008.
Composição premiada com o Primeiro Lugar, Melhor Poesia, Melhor Arranjo, Melhor Conjunto Intrumental, Melhor Melodia e Melhor Apresentação de Palco.

BATISMO

Letra: Sergio Carvalho Pereira
Música: Juliano Gomes
Intérprete: Lisandro Amaral

Com incensos de aroeira
e salmos de uma milonga,
água benta de cambona
e um clarão de lua inteira,
longe dos templos de ouro,
bajo uma quincha pagã,
pelegos, tiras de couro,
me batizei entre os touros
ungidos de picumã.

Meu batistério: um galpão
derreado pelos minuanos,
vento do sul, soberano,
minha primeira oração.
Depois, pros males do corpo,
peguei a cuidar da alma,
fervendo infusões de campo
com yerbas de vierne santo
e silêncios que a dor acalma.

Na flor das mãos, o calor
da queimadura do laço,
o batizado machazo
dos que não têm tirador.
Me benzi de invernos grandes,
para cruzar las heladas.
Depois que a junta se entangue,
mistura geada no sangue,
já não se sente mais nada.

Segui o gado que berra
numa culatra de tropa.
Da poeira que o casco solta,
me cobre o manto da terra.
Me iluminei de mandados
cruzadores de tormenta,
vi a força do descampado
que um raio sobre o alambrado,
mestre de angico arrebenta.

E assim me tornei cristiano,
e assim que me reconheço:
na minhas oração, paisano,
cada milonga es un rezo
cada rancho é como um santo,
por mais humilide, meu templo.
Juntei nada e juntei tanto,
nestes batismos de campo,
na solidão do meu tempo.

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