O Escuro – Joca Martins


4ª Aldeia da Música do Mercosul – Gravataí – RS – 2007.
Composição premiada com o Segundo Lugar e Melhor Letra.

O ESCURO

Letra: Rodrigo Bauer
Música: Fabrício Harden
Intérprete: Joca Martins

O escuro se entranha nas velhas paredes
da casa tapera, onde habita o vazio;
é a alma da noite tecendo em suas redes
um manto que, em vez de aquecer, traz o frio.

O escuro percorre o caminho que traço,
tal fosse um fantasma que sempre me assombra;
e, então, se projeta seguindo meus passos,
tomando minhas formas, fazendo-se sombra.

O escuro abre o poncho do sono e do medo
– princípios que o homem recebe de herança –
o escuro detém incontáveis segredos
que se multiplicam em cada criança.

O escuro derrama seu sangue nas horas,
habita o porão e se esconde no poço;
engole a querência, coxilhas afora,
na noite que oculta qualquer alvoroço.

Às vezes o escuro se hospeda nas almas
que murcham e perdem o brilho, e a cor;
em outras não chega, nem mesmo se espalma,
não fica onde encontra esperança e amor.

O homem se perde do arreio e da espora
quando ele se estende além da visão…
porém, se escurece do lado de fora,
a alma se acende entre a escuridão.

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