Lida Campesina – Rogério Melo


8ª Estância da Canção Gaúcha – São Gabriel – RS – 2000.

LIDA CAMPESINA

Letra: Mário de Lima Lucas
Música: Rogério Melo
Intérprete: Rogério Melo

Fui criado nesta lida campesina
Por esta terra que o gaúcho desbravou;
Gosto de potros com maçaroca na crina,
Sou peão campeiro que do temp opelechou!

Nem bem clareia eu já dou de mão nas garras
Herança rude que ficou do velho pai…
Saio no pingo, ao compasso da guitarra,
Abrindo o peito e soltando um sapucay!

O vento pampeano me rebolca o sombreiro
Nas campereadas, no fundo de algum rincão;
Recorro o campo com meu fiel companheiro
Um cusco amigo que não sai do meu garrão.

Trago no sangue esta estampa de monarca
E este jeito de fronteiro peleador…
Os potros xucros que encilho, deixo a marca
E a sutileza do gaúcho domador.

No meu gateado quebro o cacho a canta-galo
E me enveredo nesta pampa farroupilha,
Porque me basta ter, apenas, um cavalo
Que me conduza pelo verde da coxilha.

Hoje, posteiro, no fundão do banhadal…
Enforquilhado no meu flete de encilha
Pra ver se encontro os rastros de um bagual
Que, há muitos dias, desgarrou-se da tropilha.

O meu destino é cruzar por estes campos
Na dura sina de domar potros alheios…
Seguindo o rumo, luzido de pirilampos,
Levando a vida na basteira dos arreios.

A lua desponta lá no lombo da coxilha,
Anunciando que chegou o fim da lida…
Volto pra o rancho, pros braços da minha china
Que me compensa das durezas desta vida.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s