Emponchado no Más – Nilton Ferreira


10º Festival Tradiocionalista de Mata – Mata – RS – 2008.
Composição premiada com o Primeiro Lugar e Melhor Letra.

EMPONCHADO NO MÁS

Letra: Osmar Proença
Música: Igor Silveira
Recitado: Igor Silveira
Intérprete: Nilton Ferreira

O poncho, rancho e batina
Que já fez cama de china,
Aquenta um banco na vila
Onde um pedaço do pago
Que se apartou dos cavalos,
Aos pouquitos, se aniquila.

As mãos de lida e carinho,
E as pernas destes caminhos
Já não obedecem tanto
E a voz de tropa e rodeio
Murmura, em seus devaneios,
Filosofias de campo.

Faz que traz a recolhida,
Se aquieta, e volta em seguida…
Com seus causos, pelo meio,
Das voltas de homem campeiro
De ponchos moldando os ombros
E os compromissos nos lombos
Dos seus cavalos de arreio.

Enroladito em seu poncho,
Dom Leocádio é curunilha,
Debochando dos invernos
Que teimam em fazer tapera
O corpo destes viventes
Que envelhecem galponeando,
Mas se renova nos campos,
Aos lumes da primavera.

Quem sabe esta patacoada
Seja a voz das campereadas
Que lhe ficou da consciência
Ou pilchada de saudade…
Seja a flor da mocidade
Que envelheceu na querência.

E o poncho, ainda com pêlo,
Mais que coberta, é um sinuelo!
Regalos pra alma guaxa…
Enquanto o tempo atropela,
Vai escondendo as mazelas
E os remendos da bombacha.

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