Quando o Silêncio dos Mates Compõe as Horas – Pirisca Grecco


1ª Nevada da Canção Nativa – São Joaquim – RS – 2003.*

QUANDO O SILÊNCIO DOS MATES COMPÕE AS HORAS

Letra: Gujo Teixeira
Música: Sabani Felipe de Souza
Intérprete: Pirisca Grecco

Meu galpão ainda é o mesmo,
quem mudou mesmo, fui eu…
O coração pediu trégua
e a alma não percebeu.
Seguiu por conta das horas,
dos seus mates bem cevados,
reverenciando quietudes
e sonhos ensimesmados.

O silêncio acomodou-se,
deixando as coisas mais quietas.
Hora do mate solito,
da inspiração dos poetas.
De quando os sonhos da gente
ganham formas definidas,
silhuetas que fazem parte
das benquerenças da vida.

Os silêncios do meu mate
camboneio um a um…
E os jujos que tem na água
mesclam seu gosto comum.
Que sempre tem na saudade
um sabor de despedida
que, às vezes, nem maçanilha
tira esse amargo da vida…

Sou eu mesmo, do meu jeito,
se posso, não vou mudar;
o meu galpão têm silêncios
que eu gosto de escutar.
Simplicidade pra alma
-que se refaz todo o dia-
de cuidar tudo na volta
pra tranformar em poesia.

Pois outro dia eu mateava
com a solidão no costado,
sem me dar conta que a vida
mateava do outro lado.
Sem notar que a solidão,
na campanha, é bem assim…
Silente e longe de tantos,
quieto e mais perto de mim!

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