Lida Campesina – César Oliveira e Rogério Melo


12ª Estância da Canção Gaúcha – Estância das Estâncias – São Gabriel – RS – 2000.

LIDA CAMPESINA

Letra: Mário de Lima Lucas
Música: Rogério Melo
Intérprete: César Oliveira e Rogério Melo

Eu fui criado nesta lida campesina,
Por esta terra que o gaúcho desbravou,
Gosto de potros com maçaroca na crina,
Sou peão campeiro que do temp opelechou.

Nem bem clareia eu já dou de mão nas garras,
Herança rude que ficou do velho pai.
Saio no pingo, ao compasso da guitarra,
Abrindo o peito e soltando um sapucay.

O vento pampeano me rebolca o sombreiro
Nas campereadas, no fundo de algum rincão.
Recorro o campo com meu fiel companheiro,
Um cusco amigo que não sai do meu garrão.

Trago no sangue esta estampa de monarca
E este jeito de fronteiro peleador.
Nos potros xucros que encilho, deixo a marca,
E a sutileza do gaúcho domador.

No meu gateado, quebro o cacho a cantagalo,
E me enveredo nesta pampa farroupilha,
Porque me basta ter, apenas, um cavalo
Que me conduza pelo verde da coxilha.

Hoje, costeio o fundão do banhadal,
Enforquilhado no meu flete de encilha,
Pra ver se encontro os rastros de um bagual
Que, há muitos dias, desgarrou-se da tropilha.

O meu destino é cruzar por estes campos,
Na dura sina de domar potros alheios.
Seguindo o rumo, luzido de pirilampos,
Levando a vida na basteira dos arreios.

A lua desponta lá no lombo da coxilha,
Anunciando que chegou o fim da lida,
Volto pra o rancho, para os braços da minha linda,
Que me compensa das durezas desta vida.

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