Um Tal de Cruz Credo – Ricardo Porto e Elton Saldanha


18ª Sapecada da Canção Nativa – Lages – SC – 2010.

UM TAL DE CRUZ CREDO

Letra: Elton Saldanha
Musica: Elton Saldanha
Intérprete: Ricardo Porto e Elton Saldanha

Estou ali no palanque,
Se não monto, eu orelheio
Bicho sem nada na boca
Me enforquilho sem arreio.
Sou assim, não me arrenego,
Onde tem baile me apeio.
Pode anunciar que o Cruz Credo
Tá chegando no rodeio.

Permisso pra um trovador
Que neste rodeio acampa.
Touro não me corre a coice,
Nem com pontaço de guampa.
Taura que se dá respeito,
Se vê de longe na estampa,
Batizado de sereno,
Crismado com o sol do pampa.

Por este sol que me benze
E este poncho que me cobre,
Vivo bem e não me achico.
Sou rico, mesmo sem cobre.
Herdei maços de respeito
Daquele meu “véio” pobre,
Guardei no cofre do peito,
Não tem ladrão que me roube.

Não ameaço e não abuso,
Nem retruco preferência,
Minha terra é lá na serra,
Honro a minha procedência.
Tiro o chapéu pra São Pedro
Que é padroeiro da querência,
Levo flores pra serrana,
Parceira da minha vivência.

Tudo se doma e se amansa.
Nó que eu aperto não froxa.
O que eu tranço não destrança.
Planta que eu planto não chocha.
Qualquer matungo sem marca
Sabe o bocal que ele arrocha.
Na pira da tradição
Eu chego acendendo a tocha.

Esse é o Cruz Credo!
Esse é o Cruz Credo!
Se meto “as garra” na crina
O couro seca onde eu pego.
Esse é o Cruz Credo!
Esse é o Cruz Credo!
Com cacoete de ginete
Morro “chueco” e não me entrego.

Sou peão que “véve” do arreio,
Ganho no lombo do pingo,
E não me importa o alheio,
Nem a inhapa do domingo.
Quando o “cuchillo” eu “afeio”,
Me afeito, fico bem lindo,
Apesar da cara feia,
Por dentro ando sempre rindo.

Minha faca não é xerenga
E meu revolver não “faia”.
Eu tenho o corpo riscado,
Mas não me botam “cangaia”.
Se eu não mato se acapenga,
E a flor que eu cheiro tem saia.
Sempre sobra alguma dama
Onde a sorte me “abaraia”.

O meu pai, que Deus o tenha,
Me honra a contar seus feitos.
Me dava um par de cascudos
E algum trompaço no peito.
Que era lá o jeito dele
De me mostrar os preceitos,
A mãe me ensinou o carinho
E o velho impôs o respeito.

Quando eu for de queixo atado
Pro meu derradeiro leito,
Não me levem de à cabresto,
Deixem que eu vou do meu jeito.
Com a respeitável lembrança
Dos meus amigos do peito.
E me plantem campo afora
Com flores de amor perfeito.

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