Searas de Paz – Adair de Freitas


10ª Tertúlia Musical Nativista – Santa Maria – RS – 1989.*

SEARAS DA PAZ

Letra: Adair de Freitas
Música: Adair de Freitas
Intérprete: Adair de Freitas

Pegar em armas em nome da terra,
Que barbaridade, onde é que já se viu?
A terra precisa de arados e enxadas,
E mãos calejadas pra ofertar o cio.

Irmãos de Pátria, de fé e de sangue,
Fomentando a guerra só vão conseguir
Financiar a fome, cultivar o ódio,
Pragas na lavoura do nosso porvir.

Não, não é assim…
Tirar a terra de quem dela cuida
E, apesar de tudo, não saiu dali.
Não, não é assim…
Deixar sem terra os que querem cuidá-la,
Pois campos-taperas não vão produzir.

Sim, homens ilustres de cruz ou de espada,
De discursos lindos e palavras vãs…
É chegada a hora de cumprir promessas,
Dar as mãos pra vida, que o mundo tem pressa
De searas novas para o amanhã.

Ninguém tem culpa de haver nascido
Sobre as sesmarias de algum ancestral,
Nem é culpado quem nasceu num catre
Acampado à beira da estrada real.

Há de haver um jeito de ajeitar o tranco
Pra levar a tropa rumo ao seu destino,
E deixar na estrada muito boi corneta,
Que não é colono e nem campesino.

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