Ementário de Partida – Luiz Marenco e Jari Terres


11º Ponche Verde da Canção Gaúcha – Dom Pedrito – RS – 1996.

EMENTÁRIO DE PARTIDA

Letra: Gujo Teixeira
Música: Luiz Marenco
Intérpretes: Luiz Marenco e Jari Terres

Quem traz em si o caminho,
que é novo à cada momento,
tem na inconstância do vento
o destino que lhe cabe.
Nem mesmo o destino sabe
o porquê destas partidas,
das múltiplas despedidas
que o tempo nos apresenta.

Eu levo um sol no destino
e a sombra por desafio,
um azul de céu imenso
e duas margens de rio,
um passado e um presente,
que dimensionam meu tempo,
um adeus de lenço branco,
que ficou no esquecimento.

Quando parti, levei sonhos
e o coração do avesso,
as palavras de um verso
que eu só fiz o começo,
e um baú de lembranças,
de falso ouro, sem preço.
Quando parti, levei sonhos
e o coração do avesso…

Pensei que fosse mais fácil
emoldurar o passado
num retrato amarelado,
antigo quanto a saudade.
Quando se partem as metades,
um lado procura o outro.
O que vai é o recomeço,
o que fica, morre aos poucos.

Na hora em que a alma dorme,
no tempo de cada um,
a saudade é tão comum
como a de estar ausente.
Já não germina a semente
que, ao solo, se oferece,
somente os sonhos são férteis
em terra que nada cresce.

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