Passo da Noite – Luiz Marenco


13ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2002.
Composição premiada com o Segundo Lugar e Melhor Poesia.

PASSO DA NOITE

Letra: Sérgio Carvalho Pereira
Música: Luiz Marenco
Intérprete: Luiz Marenco

Quem já cruzou, na noite, distâncias largas
e viu a querência inteira sumir no breu…
precisa a graxa do trevo das invernadas,
cogote duro do pingo para a jornada
e o tino de achar no escuro o que se perdeu.

Quem já encilhou em noite de tempo feio
e não achou suas estrelas formando cruz,
de nada adianta guiar a perna do freio
no mundo das sombras grandes, cavalo e arreio…
… são cegos da madrugada tateando a luz.

Quem ganha a boca da noite, jamais esquece
de haver sido um dos assombros que a noite tem!
Talvez seja um desses vultos que assustam ranchos,
quem sabe um morcego a mais em asas de poncho…
… alados, mas prisioneiros que o sol não vêem.

“Hay” hora na noite grande que o vento pára
e vira o rumo perdido na escuridão…
É o mesmo tempo que a voz da macega cala,
o pingo senta de susto, arrastando a mala,
e a gente chega a se tocar com a solidão.

Cruzar o passo da noite, rever querência,
tranquear com a vida nos bastos, surgir do breu
– é reencontrar estrelas num céu de ausências,
juntar pedaços do mundo das benquerenças…
é o tino de achar no escuro o que se perdeu!

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