O Couro Cru das Estâncias – Jari Terres


24ª Ronda de São Pedro – São Borja – RS – 2006.

O COURO CRU DAS ESTÂNCIAS

Letra: Xirú Antunes
Música: Edilberto Bérgamo
Intérprete: Jari Terres

Boi de abril, do quarto cheio,
Rodeio grande de outono;
Mala suerte do escolhido,
Buena sorte dos que sobram.

Achei razões pra o munício
Na tarde quieta de abril,
Na dança das carneadeiras
O couro é poncho vazio.

São as razões que o inverno
Prenuncia em voz de vento,
Envelhecendo geadas
Nas crinas brancas do tempo.

Ah, tempo velho antigo,
Dos tempos do meu avô,
Que viu os paióis de milho
Matarem a fome dos bois.

Que viu o couro dos bois
No espaço, em forma de laço,
A pescar mais outro boi,
Braço de homem a cavalo.

Que viu o couro de bocais
Deixarem cavalos mansos
Pra apartar um outro boi
N’algum rodeio de outono.

Eram razões dos invernos
Que não ressequiam couros,
Não emagreciam estâncias
Com a idade dos minuanos.

O tempo destes arreios
Hoje encontra o olhar,
Alguns couros estaqueados,
Sem ninguém pra desquinar.

Talvez a memória do couro,
Pra os filhos que hão de vir,
Estenda um mapa colorado
Num pelado de capim.

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