Quando o Poncho Bota o Culo – Ângelo Franco


18ª Tafona da Canção Nativa – Osório – RS – 2007.
Composição que levou o primeiro lugar na Linha de Manifestação Campeira e o Troféu Tafona de Ouro.

QUANDO O PONCHO BOTA CULO

Letra: José Carlos Batista de Deus e Eduardo Muñoz
Melodia: João Bosco Ayalla
Intérprete: Ângelo Franco

“Que o negro Jorge morreu
Se soube por noticiário
Que apenas contou do fim
Sem tempo pra comentários
Assunto pra mais de mês
Na boca do vizindário”

Nem pode lavar o mate
Ao ver as águas subindo
Saltou em pêlo na baia
No amanhecer de domingo

Sabia que a eguada mansa
Ficara ilhada na costa
Não se mede sacrifício
Pra aquilo que a gente gosta

Negro Jorge era vaqueano
Das cheias de galho a galho
Mas uma zaina gaviona
Ponteou buscando um atalho

A correnteza é um mistério
Parece um tiro de laço
Por isso que não assusta
Quem tem confiança no braço

Não é que a baia resvala
Já quase subindo a taipa
Depois de bandear o rio
Feitio de fole de gaita

O posteiro que ajudava
Atropelou pra barranca
“Inda” viu a mão do negro
Sumindo na espuma branca

Uma baia cabos negros
Saiu “solita” do rio
O chapéu acharam logo
E o mango nunca se viu

O poncho que escorou águas
Agora se vai com elas
E os olhos que se emalaram
Emprestam lume pras velas

Ficaram dois ovelheiros
Uivando em frente da ilha
Nem mesmo a noite de chuva
Quebrou aquela vigília

Será que ouviam o negro
Talvez pedisse em socorro
É norma de tempo e vida
O dono “perdê” os cachorros.

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