Na Paz do Galpão – César Passarinho


16ª Gauderiada da Canção Gaúcha – Rosário do Sul – 1998.

NA PAZ DO GALPÃO

Letra: Gujo Teixeira
Música: Marcello Caminha
Intérprete: César Passarinho

A tarde cai, eu camboneio um mate
Junto ao braseiro do fogo de chão;
O pai-de-fogo, puro cerne de branquilho
Queimando aos poucos na paz de um galpão.

O mesmo inverno coloreando o poente
Final de lida refazendo o dia
Lá no potreiro, meu baio pastando,
No cinamomo um barreiro em cantoria.

Por certo, a tarde em outros ranchos da campanha,
Por serem humildes, tenham a paz que tenho aqui,
Pois só quem traz sua querência dentro d’alma,
Sabe guardar toda esta paz dentro de si.

Encosto a cuia junto ao pé do pai-de-fogo,
Chia a cambona repontando o coração;
Nas horas mansas que a guitarra faz ponteio
Numa milonga pra espantar a solidão.

É lento o tempo na paz de um galpão,
Ainda mais quando a saudade bate…
As soledades vou matando aos poucos,
Na parceria da guitarra e do mate.

Então a noite se acomoda nos pelegos,
Povoando os sonhos de ilusão e calma;
Toda essa paz é um bichará pro inverno,
Faz bem pro corpo e acalenta a alma.

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