Barreiro, Pouso de Tropa – Luiz Marenco


1º Canto do Barreiro – Urupema – SC – 2017.

BARREIRO, POUSO DE TROPA

Letra: Sergio Carvalho Pereira
Melodia: Luiz Marenco
Intérprete: Luiz Marenco

Veio o patrão para o aparte na invernada
e o capataz mostra a boiada com orgulho.
No Parador vão fazendo tropa pesada,
pra pegar estrada, tendo o norte como rumo.

Tem os que ficam e os que vão, de cada lado.
Bem separados a rédea e pata de cavalo.
Mas amanhã já fazem parte de um passado,
tapado a poeira, barro e timbre de badalo.

Galpão antigo, fogo de bugre e aroeira,
bóia de lei: pinhão, “abóbra” e qualhada.
Vai o tropeiro se esquecendo da estriveira,
que são três noites nesta terra abençoada.

Abre a porteira da fazenda do Barreiro,
que são trezentos bois que vem nessa jornada.
Cinquenta “mula”, seis “munício” e dez “sinuelo”,
socando o barro e abrindo rastro na geada.

Mangueirão grande de pedra e toa confiança
e um pootrerão de um pastiçal que não se acaba.
O Cacequi, o São Gabriel já são lembranças.
Folgam três dias, já encilham pra Sorocaba.

Isso que eu conto se passou há 200 anos,
nessas mangueiras, nesses campos, e nessa casa.
Foi quando os meus, que eram gauchos e paisanos,
Tomaram mate junto ao calor dessas brasas.

Traziam tropa, canto, vida e esperança.
Muita distância no olhar de cada um
Em cada casco um pouco de barro e lembrança,
do saibro rubro do banhado Inhatium.

Por isso eu volto a cada ano no Barreiro,
tomar da água que aquela tropa bebeu.
Cantar que eu vim do sangue dos tropeiros
e pra provar que a gentileza não morreu.

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