Léguas de Solidão – Grupo Horizonte


1ª Coxilha Nativista – Cruz Alta – RS – 1981.
Composição premiada com o Primeiro Lugar.

LÉGUAS DE SOLIDÃO

Letra: Humberto Gabbi Zanatta
Música: Luiz Carlos Borges
Intérpretes: Grupo Horizonte

De andanças, por caminhos,
Fez sua vida, carreteando,
O próprio destino de peão.
Cruzou sanga, cruzou barro,
Pedra e pó, encurtando
Distâncias, ganhou o pão.

Traçando estradas nos atalhos primitivos,
No horizonte do bem longe, andejou…
Como cobra, se estendendo nas coxilhas,
Novas querências o seu rastro demarcou.

Transportou, com segurança, os mantimentos
Para o comércio dos bolichos nas estradas.
Carreteou cargas de lã, de sal e charque,
E a própria história no ajoujo da boiada.

Nas pousadas foi plantando
Vilarejos no ofício
Da campeira geografia.
Pelo pago, teve amores
Que marcaram, qual o canto
Da carreta que rangia.

Rasgou o pampa em léguas de solidão
E da carreta fez trincheira e fez morada.
Fez da lua, do cachorro e dos avios,
Companheiros incansáveis das jornadas.

No roda-roda do tempo vão sumindo
A junta mansa e a carreta – velhos trastes,
Porém, a fibra do remoto carreteiro
Não há tempo ou pedregulho que desgaste.

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