Banhado Grande – Nilton Ferreira


17ª Estância da Canção Gaúcha – São Gabriel – RS – 2010.
Troféu de Melhor Instrumentista para o acordeonista Samuel Rosa, que participou desta música.

BANHADO GRANDE

Letra: Heleno Cardeal
Música: Pedro Guerra
Intérprete: Nilton Ferreira

Vadeando o banhado grande
Com água pela carona,
A sobre-cincha de lona
Já mergulhando as argolas;

Trança de quatro nos tentos
– Atada – rente ao lombilho,
Pela anca do tordilho
Vinha um laço a bate-cola.

Na margem do rio do Tigre,
Assoprando a boiadeira,
Já despontava a boieira
Pelo toso do beiçudo;

O cusco baio braçudo
Nadava no seu costado,
Tirando gado embrenhado
De um banhado bem crinudo.

Banhado não é brinquedo,
Fica sem força o cavalo;
A água segura o pingo
E o touro pode sangrá-lo.

O jacaré cascurrento
Namorava o ‘mulhereiro’,
A vaca escondeu o terneiro
E se embrenhou agua adentro;

O gado a favor do vento
Na distância de um pealo,
Não farejou o cavalo
E o sol despontou faceiro.

Gadaria chimarrona
Que nunca conheceu gente,
Mais braba do que serpente,
Só vinha pra o matadouro;

Sentido o cheiro de touro,
Que doce, alerta o trodilho,
Atento desde potrilho
E o cusco tomou-lhe a frente.

Atravessado ‘nas cruz’
Trouxe ‘pras casa’ o terneiro,
A vaca seguiu a cria,
Deixei o resto do gado.

Por mais valente o cachorro,
Apesar de bem montado,
Campeiro sem comitiva
Não mexe com touro alçado.

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