Versos Pra Dom Ricardo – Nilton Ferreira


1º Minuano da Canção Nativa – Santa Maria – RS – 2002.*

VERSOS PRA DOM RICARDO

Letra: Francisco Luzardo
Música: Nilton Ferreira
Intérprete: Nilton Ferreira

Tropeiros, eram os senhores
que moravam nos arreios
conduzindo gado alheio
com sinuelo de horizonte,
Dom Ricardo foi um desses!
Que saltavam antes dos galos
Pois nascera de a cavalo
com a vida em reponte.

Com um zaino (noite escura!)
e dois pingaços de tiro,
um gateado outro tordilho,
vaqueano dos corredores!
Se fez irmão das estrelas
Nos mangrulhos, em quarteadas,
se gastou pelas estradas
em culatras e fiadores.

Foi campeiro como poucos!
Ginetaço! Era de fato,
igualzito um carrapato
depois que se enforquilhava,
quando desatava o laço
um tombo beijava a grama
e embuchava até as “campana”!
Numa esquila de empleitada.

Mas foi unido ao destino
da zebuada troteadeira
que Dom Ricardo vivera
até que Deus lhe chamou,
no trono do zaino negro
(mais negro que o seu chapéu!)
se foi rondar lá no céu
as almas que ele tropeou.

Peço a ti, que estás agora
ponteando a tropa estrelada,
que reserve uma pousada
em tua alma, como abrigo,
pra receber esta tropa
(dos meus versos mais grongueiros!)
regalo deste campeiro
que um dia tropeou contigo.

Nunca a alma de um tropeiro,
no céu, vai ser prisioneira!
Sempre volta, com a boieira.
Pra o pouso da gadaria.
E incontida se liberta,
num “redemunho” de poeira
soltando um grito de êra
na goela da ventania.

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