Um Quarto de Ronda de Campo – Juliano Moreno


4ª Manoca do Canto Gaúcho – Santa Cruz do Sul – RS – 2009.

UM QUARTO DE RONDA DE CAMPO

Letra: Mateus Neves da Fontoura e Miguel Cimirro
Música: Juliano Moreno
Intérprete: Juliano Moreno

Será verdade que as toadas se perderam
Na mesma sina dos tropeiros pela estrada?
Sei que lembranças não me servem de acalanto
Se o campo largo gastou tropa em noite clara.

Num céu de maio cada lua é uma tarca
E o que se perde vai somado pelo tempo
Com nostalgia enraizada nos meus versos
Sigo buscando acalmar o meu lamento.

Será que o que se canta é o que se vive?
Eu hei de ser e de colher só o que planto
Por ser ponteiro de saudade e de esperança
O meu quarto cumprirei em ronda ao campo.

“Meu verso clama outro sentido pra razão
Das referências culatreiras do passado
Enquanto calam as respostas dos aflitos
Sigo campeando na canhada os extraviados.

Será um destino contar tamas em aramados
E ninhos firmes de orneiros nas porteiras?
Bombear corujas nos moirões das madrugadas
Velar o campo sem rangido de basteiras.”

No descampado, paradouros dos tropeiros
Se o minuano arrepia as sesmarias
O fogo antigo já não marca mais o chão
E no horizonte não levanta um novo dia

Será, de fato, que as toadas desgarraram
Feito as estrelas que repontam a escuridão?
E os quero-queros só alarmam desencantos
Contra a quietude do silêncio e a solidão.

Embora o tempo apague o rastro dos caminhos
Eu guardo sonhos na minha alma de estradeiro
E aqueço invernos na estufa galponeira
Rondando o campo com a alma de um tropeiro.

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