Apertando a Cincha – Joca Martins


3ª Nevada da Canção Nativa – São Joaquim – SC – 2005.

APERTANDO A CINCHA

Letra: Gujo Teixeira
Melodia: Fabrício Harden
Intérprete: Joca Martins

Eu tenho mais vida nos meus olhos de campana,
Que guarda o verde pra todo e sempre pelas retinas,
São sombras mansas, de tarumãs e cinamomos,
E várzeas largas, porque o campo, longe, termina.

Cada terneiro que as macegas dão pousada,
Carrega adiante o sangue rubro do gado pampa
E que depois hão de seguir firmando o instinto:
Fazendo touros, por mansarrões, baterem guampas.

Mas há um silêncio que perde o tino dentro da noite…
É uma coruja que no alambrado estende um piu
E ameaça as crinas presas pelos farpados,
Por onde o escuro e as aranhas tecem seus fios.

Porque depois quando a manhã se espreguiça
E da retranca de uma porteira o sol se estende,
Freio na mão e o meu olhar se perde ao longe…
Logo se encontra, porque o campo nunca se rende.

Sempre tem vida onde um olhar estende um pala,
Até a um barreiro que alçou voo desde a tronqueira…
Força e coragem de ir buscar seu próprio barro
Entre os cavalos, num alvoroço pela mangueira.

Pois há um sentido, que ainda se forma pelos galpões,
E faz meu sonho ir bem além da própria quincha,
Depois que ajeito as minhas garras sobre um gateado,
Eu firmo o meu mundo e me sustento apertando a cincha!

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