Na Invernada do Vento – Gustavo Teixeira


11ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2000.

NA INVERNADA DO VENTO

Letra: Gujo Teixeira
Música: Joca Martins
Intérprete: Gustavo Teixeira

Meu mouro troca pisadas, num escarceio de crinas
atira baba pra cima, troca orelhas meio inquieto
parece que vai por diante, olfateando um pensamento
ou então, ele e o vento conversam o mesmo dialeto.

Nem bem eu tinha cruzado a porteira da invernada
-a gadaria espalhada entre coxilha e varzedo-
o vento soprou cortando, surgindo assim num repente
deixando a alma da gente, mesmo emponchada, com medo.

É sempre pelos agostos que este vento se alvorota
vem desde os lados da grota cruzando junto à tapera.
De bom só traz o aroma das flores das laranajeiras
e o assobio das taquareiras, que de longe reverbera.

É barbicacho “nos queixo” pra sustentar o chapéu
quando resolve em escarcéu tomar meu poncho cinzento.
É grito pra gadaria, esporas juntando o mouro
e latidos de cachorro, contra os desmandos do vento.

Sempre é por esta invernada que o vento se aquerencia
-manhã cedo um lindo dia, quando ajeitava a encilha-
é só chegar na porteira onde a invernada começa
que este vento logo empeça, a galopear na coxilha.

Não sei se sopra por gosto, ou se sopra por maleva
se não for taura não leva, o gado pro paradouro.
Porque esse vento tem gana de esparramar os terneiros
ainda bem que sou campeiro, tenho a cuscada e meu mouro.

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