Das Confissões de Um Andejo – Marcelo Oliveira


2ª Nevada da Canção Nativa – São Joaquim – SC – 2004.

DAS CONFISSÕES DE UM ANDEJO

Letra: Sérgio Sodré
Música: Marcelo Oliveira
Intérprete: Marcelo Oliveira

Voltei, costeando coxilhas
Ao tronco do baio ruano,
Bolqueando o sonho aragano,
Sentindo o ringir dos bastos,
Repisando o mesmo pasto
Que deixei na minha partida,
Quando dei rédeas pra vida
Ao sentir meus sonhos gastos.

E o meu sonho vinha adiante,
Sentindo o aroma da estância,
Se olvidando da distância,
Escarceando um “oh de casa”;
Que quando a alma extravasa
O apego à querência,
O xucro sente a ausência
E, num upa, bate asas!

Entrei no galpão da estância
Coberto de picumã…
Lembrei de tantas manhãs,
No mate de mãe em mão…
Sofrenei meu coração
Numa prece comovida…
… Dei “gracias” por minha vida
E o regresso pra o galpão.

Trouxe lições dos caminhos
No tordilho das melenas
E nos cravos das chilenas
– Suor de tantos matreiros;
Tinha os olhos prisioneiros
Na distância dos caminhos,
Pelos repontes sozinhos
Do meu destino campeiro.

Soltei a cincha do flete,
Me arrinconei num amargo,
Fui sorvendo trago a trago,
Sentindo o fogo de chão;
Desquinando a lição
Que, por mais voltas que faça,
A sina de um índio guasca
É regressar pra o galpão!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s