Para Um Índio – Lisandro Amaral


17ª Vigília do Canto Gaúcho – Cachoeira do Sul – RS – 2006.
Composição premiada pelo Melhor Arranjo.

PARA UM ÍNDIO

Letra: João Sampaio e Noel Guarany
Música: Edilberto Bérgamo
Intérprete: Lisandro Amaral

Peço licença, senhores, o assunto é triste demais:
Relatar, sem iniciais, isso cabe aos payadores,
Sem dar nem pedir favores para hastearem a verdade.
Pois ao pintar a realidade, ao pé de algum fogão,
Se abre todo o coração para entrar na eternidade.

Nos danais xucros da história há de ficar meu pensamento,
Cheio de luz dos momentos imperecíveis de glória,
Retraçando a trajetória do passado e do presente,
Por isso eu canto, reverente, neste galpão enfumaçado,
O velho chão colorado e as coisas da minha gente.

“Soy una calhandra gaucha de mi pueblo guarany,
Traigo enancado en el alma un sapukay guayaki,
Una crencia em dios Tupã y em la Virgen de Itatí.
Canto la tierra onde vivo, mi sueño avañe
Habitado de poesia, de um tiempo Imaguaré…”

Neste rincão onde estou, sobre o teto dos pinhais,
Sinto eflúvios ancestrais de um tempo que não passou…
Hordas do meu tetravô, como pedindo um retruco.
Estampidos de trabucos, com ameríndia coragem,
Fugindo da vassalagem de gringos e mamelucos.

Que será que sentes tu nessas festanças burlescas,
Palhaçadas gauchescas, de palhacescos xirús?…
Igual bando de nhandus correndo de alma convulsa!
O coração da terra pulsa nossos valores indianos
E estes fiascos “cetegianos” hão de causar-te repulsa.

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