Manga de Chuva – Juliano Moreno e Angelo Franco


10º Acampamento da Canção Nativa – Campo Bom – RS – 2011.

MANGA DE CHUVA

Letra: Felipe Severo
Música: Felipe Barreto
Intérpretes: Juliano Moreno e Angelo Franco

Abriu-se um poncho depois da porteira
Branqueou o horizonte no pago fronteiro
Fim de primavera e a chuva bem vinda
roncou feito potra ao pechar o potreiro

O ranger da cancela era prenunciador
que um sopro morno de manso pra forte
era um chasque vaqueano trazendo recados…
… que vento e garoa mandavam do norte

Virou precisão o aguaceiro na terra
pra’o pasto queimado de sol e mormaço
pra matar a sede e depois rebrotar
verdejando o pampa com força e vistaço.

E a alma retorna de um fundo de campo
(onde laço é mangueira e o campomar é rancho)
Depois um apeia dos tentos pra’o chão…
… e o outro retoma dos ombros pra’o gancho

Então desencilha mirando a querência
e vai despertar cambona e vigüela
que logo é Domingo e le gusta a estrada…
… e um trote largo à saudade sinuela.

Forma torrentes no rumo das sangas
(dos banhos dos tauras nos sóis de Janeiro.)
E quando se alonga o intervalo das mangas
O sol lhes obriga a um largo sombreiro.

Foi firmando o tempo e a chuva cruzou
depois de partida, mermou e deu trégua
deixando dois horizontes apostos…
… o claro e o escuro distante uma légua.

Ficou um barreiro erguendo um rancho
E o aroma das flores das laranjeiras
Mesclando-se ao cheiro de terra molhada
Imagens de campo, postais de fronteira.

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