Gaúcho Capoense – Idalcir Peruchim


1º Canto do Charão – Muitos Capões – RS – 2014.
Composição que conquistou o prêmio de Música Mais Popular.

GAÚCHO CAPOENSE

Letra: Idalcir Peruchin
Música: Idalcir Peruchin
Intérprete: Idalcir Peruchim

Parei o pingo lá no “passo da porteira”,
Do “Emídio Chagas” com o “Arlindo Castelhano”,
Vinha num trote largo e solto de viageiro,
Sentindo o vento num doradilho cabano.

Veio a cabresto um tostado pata branca,
Prá o “Tio Feliz” me entregar arrucinado,
“Nego Camilo” o campeiro que fez a doma,
Deixou bem manso sem baldas e enfrenado,
Mas prá que fique um destes pingos de lei,
Minha confiança, “tá” nas mãos do “delegado”.

Tirei uma folga neste final de semana,
Pois tenho pressa e na aguada não demoro,
Eu mato a sede dos cavalos aqui no rio,
Porque a minha é na “bodega do Teodoro”.

Rever amigos e tomar um “moscatel”,
E fazer compras la no “armazém do Vica”,
“Maria Joana” a parteira está lá em casa,
Sem a encomenda, ela disse que não fica.
No fim do mês vai chegar mais um herdeiro,
Vai ter bastante leite gordo com “canjica”.

Vou trocar os ferros do cavalo no “Fabrício”,
Que anda gasto de tanto eu camperear,
E na pensão do seu “Olimpio Propício”,
Reservar um quarto prá esta noite eu descansar.

Depois do almoço tenho mais um compromisso,
Fui convidado prá um treino de “cavalhada”,
“Berto Finoca” e “Pedro Nery” vão a frente,
Para ensinar o resto da rapaziada.
“Aurea” é floripa, o “Horácio” é o terceiro,
Lascar-lhe tiro se bobear e fazer caçoada.

Chegando a noite largo o pingo no potreiro,
E na bodega vou dar mais uma passada,
Tomar um trago e escutar o “tio Olmiro”,
Contar anedotas só prá gente dar risada.

Depois da janta, puxo um banco lá prá fora,
Conversar um pouco e tomar um vinho de cantina,
Ouvindo um toque de cordeona e bandoneon,
Com a maestria do “José” e da “Guilhermina”.
São coisas lindas que não esqueço jamais,
Mas o que é bom um dia também termina.

Pena que a noite vai passando tão depressa,
Ficando tarde por mim até amanhecia,
Como foi bom conversar com os amigos,
Saber das novas e escutar as melodias.

Risada e pealo ainda escuto lá na praça,
É o “Miguel Bueno” e o “Osvaldo” de bregerada,
Esporeando as mulas e as vacas do “Pedro Nery”
Na pura farra só prá honrar a pataquada.
São brincadeiras que se faz na luz da lua,
Prá contar causos num encontro de peonada.

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